4 de out. de 2021

CorraAtrásDessesLivros (11ª edição)

Depois de uns booons anos, voltamos com a campanha #CorraAtrásDessesLivros. É simples: uma pessoa (colunista, colaborador, convidado) sugere algumas (poucas) obras que a marcaram por meio de um textinho direto no ponto: no essencial da obra, no efeito que ela pode causar. Hoje começamos com as sugestões do pesquisador, professor e crítico literário SINVALDO JÚNIOR:

Urupês, de Monteiro Lobato – tão indispensável quanto consciente e equivocadamente deixada de lado, essa obra de Lobato é saturada de contos e personagens marcantes. A linguagem – uma junção de regionalismo com linguagem erudita (“Escuridão, não direi de breu, que não é o breu de sobejo escuro para referir um negror daqueles”) – é outro ponto alto da obra, uma espécie de prenúncio do que um tal Rosa iria fazer alguns anos depois, mas à potência máxima. São quatorze contos que vão te transportar àquele Brasil atrasado, mas belo (por que não?), de um século atrás. Bora viajar?

Morte e vida severina, de João Cabral de Melo Neto – o que dizer de um clássico? Morte e vida severina é aquele tipo de texto que você pode ler/reler dez vezes e, mesmo assim, ele vai te tocar. Não que as agruras da vida, a pobreza, a fome sejam tocantes (não são e nunca serão), mas a forma como o autor as apresenta, tão poeticamente, tão duramente, tão profundamente, deixa qualquer leitor reflexivo por um bom tempo. Não virou clássico sem motivo.

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