4 de jan. de 2022

Uma viagem estática

 

Por Rogers Silva 

Aurora,
entretanto eu te diviso, ainda tímida,
inexperiente das luzes que vais acender
e dos bens que repartirás com todos os homens. 
(A noite dissolve os homens, CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE)  

I –   

Um azul fosco se mistura a um laranja rosado. É o crepúsculo caindo lá, longe. O dia, timidamente, oferece seu lugar à noite. Eis o aniquilamento da claridade do dia 27 de maio. Outono. Nada se compara à beleza do crepúsculo deste instante. Veja.


O encanto que o horizonte proporciona agora, às dezoito horas, vai cedendo lugar ao desencanto que esta noite proporcionará. O sol já não se mostra mais. Somente seus raios saindo, distantes, de algum lugar do universo. Os raios não são como aqueles, límpidos, do meio da tarde. São raios alaranjados. Rosados. Bonitos. Mas não intensos como os da tarde.

Aqui fora, sim, avista-se essa bela imagem. E dentro daquela casa, bem em frente, de cor amarela, com três portões de um dourado-velho, uma pequena árvore no meio da calçada; e ali dentro, como estará? Vamos lá?

Atravessamos a rua e passamos pelo portão menor, entrada exclusiva para pessoas. Sem abri-la, entramos pela porta e passamos embaixo do sobrearco arredondado de vidros coloridos. Finalmente chegamos à sala principal, onde vemos, além de uma mulher mediana, pele clara, cabelos negros, longos, anelados, uma televisão de 29 polegadas, último modelo; um jogo de sofás, num dos quais a mulher se encontra; uma estante de madeira mogno; um quadro (em sua gravura, uma linda floresta, densa e lúgubre). Cobrindo toda a parede da janela, uma cortina marrom.

A mulher está ali, com seus quarenta anos, olhos tristes em direção à trama primária da telenovela. Vagos. Sem brilho.

__ O Gilberto já deveria ter chegado. Já são seis e quarenta – pensa Pérola.


Gilberto, neste instante, está abraçado a Júlia, sua amante. Ingênua, acha que ele, homem bem estruturado, familiar e financeiramente, vai abandonar seu lar, sua prestativa esposa, para ficar com ela, moça bonita, morena, olhos verdes, corpo escultural, mas tola – às vezes o próprio Gilberto a julga. Dá um beijo na face esquerda, macia de Júlia e se despede:

__ Tenho que ir. Costumo chegar em casa às seis horas. Minha esposa pode desconfiar.

__ Que dia você vai largar a outra pra ficar comigo? – pergunta a amante, sorrindo e pegando as mãos do homem, que desconversa:

__ Temos que nos encontrar em outro lugar. De tempos em tempos poderíamos mudar de local. Que tal? – sugere, terminando de fechar o último botão da camisa de mangas longas, azul-clara, que pactua com o azul intenso de seus olhos, intensificando assim, com as sobrancelhas escuras e bem delineadas, sua beleza madura.


Júlia, então sozinha: Ô quarentão lindo. E bem de vida! – exclama. Mas ela não nos interessa. Vamos ao Gilberto, agora dentro do seu Vectra GLS. Velho – às vezes ele pondera. – Tenho que trocá-lo.

Gilberto aprecia pela janela o azul escuro do anoitecer, que contrasta com o verde das árvores da avenida por onde passa. Em quinze minutos chega em sua casa, no bairro Tabajaras.


__ Já são sete e cinco. Por que demorou tanto assim? – pergunta Pérola, sem raiva na entoação e no semblante.

__ Tive que fazer uma análise de uns papéis da empresa – responde desinteressado.

Gilberto, aparentemente cansado, indaga:

__ Cadê o meu filho?

__ O nosso filho?

__ Sim. Onde ele está?

__ Fingindo que se importa com ele?

__ Ah, não enche! É claro que eu me preocupo com ele. Dou tudo que está ao meu alcance para aquele menino.

__ Esse é o seu problema, Gilberto. Você dá coisas que dependem de dinheiro: cursos, aparelhos eletrônicos, presentes, dinheiro... toda vez que ele pede. Mas...

O outro interrompe:

__ E nem sabe aproveitar esses cursos que eu tô pagando pra ele. Computação, Inglês, Piano, Violão... Fica ouvindo essas porcarias dentro desse quarto o dia inteiro – e sai.

Passa pela sala, copa, corredor e, após tirar a camisa no quarto, entra no banheiro. Mais do que eu dou pra esse menino. Impossível...

Essas conversas com Gilberto são tão inúteis. Ele nunca entende. Sempre foge – reflete Pérola, professora de Geografia do ensino médio. Senta-se no sofá e volta a assistir à televisão: outra telenovela. Não gosta muito de telenovelas. Acha-as fúteis, repetitivas, moralistas. Bestas. Fica ali por não ter muito o que fazer nesse horário. Às vezes faz planos de aula, mas as aulas de amanhã estão todas planejadas.

Os minutos vão passando e ela, no mesmo lugar, sentada, pouco interessada na programação da TV, o semblante triste. De uma tristeza acostumada com a vida, a rotina, o mau relacionamento (nos últimos três anos) com o marido. Nos últimos tempos, com a distância adquirida, lenta mas progressivamente, do único filho. Pensa no filho. Tão rebelde, mas tão carismático! E tão inteligente! Levanta-se, anda. Já faz horas que está aí trancado nesse quarto. E ao passar pelo quarto vê na plaqueta, bem feitinha, escrito: 

Gênio Pensando 

Quase sorri. Relembra de quando ele a colocou na porta do seu quarto. Tinha uns quatorze anos. Tão bonito! E tão parecido com o pai na fisionomia! Os mesmos olhos. Azuis...

Faz tenção de bater na porta. Não. De repente a visão embaçada, pergunta:

__ Brad, por que fica tanto aí nesse quarto, trancado? – escorando na parede, por causa da tonteira. – Por favor, meu filho, fale comigo!

Deixando a mãe mais aliviada, ele responde:

__ Eu estou bem, se preocupa não.

Pérola volta à sala. Antes de sentar-se num dos sofás, para em frente à televisão, intencionada em mudar de canal. Muda. Jornal da Band.

Gilberto, depois do banho, vai à sala assistir aos seus programas, refrescar a cabeça – descansar. Senta-se em outro sofá, o mais distante de Pérola, e mira a TV. Esse jornal é bom. Melhor que aquele outro. Golpista. Manipulador. E ao pensar na palavra “manipulador” relembra o tempo de universidade. O tempo em que era socialista. Idiotice. Sacrifícios em vão. Só depois de velho é que se percebe.

Enquanto Gilberto traz à memória a época de graduação, às vezes deixando escapar um sorriso, sua esposa pensa no filho. Ah, que saudade do tempo em que era criança. Inocente. Daquele sorriso maroto, tímido. Ele era tão tímido! Mas tão lindo! E vai transpassando o tempo, lembrando-se de um grande feito do garoto desde o nascimento até o presente momento. Mãe – chamou, sério, um dia. Estavam na varanda em frente, os dois, olhando a rua (um dos portões grandes se encontrava aberto, assim se via melhor a rua, sem as grades como obstáculos). O quê?

__ Daqui pra frente quero que me chame de Brad.

__ Que isso, meu filho? Que doidice é essa?

__ É isso mesmo. Brad... – repetiu, olhando o horizonte.

__ Com apenas doze anos e já querendo mudar o nome – pensou a mãe.

Pérola não resistia àquele ar pueril de seu filho. Fez sua vontade. Todas as vezes em que os dois estavam sozinhos, Pérola trocava o Júnior costumeiro por Brad. Brad... Até que é bonito. Parece americano... – a mãe sorria. – Brad... – e se acostumou.

Agora Pérola sentia calor. Levanta-se do sofá e vai à janela abri-la. Abrindo-a sente o frescor da noite, o que melhora o seu abatimento. Coloca a cabeça para fora a fim de olhar as estrelas. Olha-as. Esplêndidas. Fecha os olhos.

Gilberto reparava a esposa. Não tinha raiva dela. Talvez pena. Por que está aí nessa janela? Olhando o quê? – se perguntava. Aproveita a ausência espiritual de Pérola e, pelo controle remoto, muda de canal. Eu estraguei tudo. Dávamos tão bem. Esfriou e ela aceitou calada. Eu que arruinei nosso casamento...

Após sentir por um tempo o vento no rosto, Pérola decide ir à cozinha. Ao passar em frente do quarto de seu filho, ouve um dedilhar de violão. Quase imperceptível. Tão novo e toca tão bem!

Depois de ir ao banheiro, se olhar no espelho, ir ao quarto e ficar alguns segundos deitada, se levantar, abrir a geladeira, Pérola para em frente à porta do quarto de Júnior de novo. Maquinalmente coloca um dos ouvidos rente à porta. Tenta ouvir a canção tocada e cantada lá dentro: 

Mama take this badge from me - ee…
I can’t use it anymo - ore
It’s getting dark too dark to seeee…
Feels like I’m knockin’ on heaven’s do - or

Não entendeu. A melodia chegava baixa, abafada, e a música era em inglês. Seu inglês não era muito bom. Pérola, mesmo não entendendo a letra, sua mensagem, achou a canção bonita. Ou era a voz do filho que a fazia tão bela, tão sublime?...

II –

Um céu esbranquiçado: é a aurora reduzida a um acontecimento sem cor, sem vida. O rompimento da madrugada, com tamanho desencanto, se difere do entardecer de ontem, de tanta cor: azul, laranja, rosa. Hoje, isso. O sol, cujos raios custam chegar a Terra, parece querer retornar ao seu lugar de origem. Mas é preciso que os raios, mesmo não coloridos como antes, clareiem o início do dia.

Lá dentro da casa, Pérola acorda, olha para o outro lado da cama e, não vendo ninguém: Gilberto já deve ter ido – pensa. Sete horas e meia... – murmura. Levanta-se, mas o corpo reclama que quer descansar mais. Ai, meus alunos me esperam... – conclui e vai ao banheiro, repentinamente extasiada, com intuito de tomar um banho, escovar os dentes, colocar uma roupa.

Antes de coar o café costumeiro, Pérola vai, por hábito, à garagem ver se o seu Corsa cinza está lá. Ao passar em frente à porta do quarto do filho, estranha a música que vinha, de dentro, muito baixa:

I used to love her
But I had to kill her
I used to love her
But I had to kill her

Por momentos teve dúvidas se essa melodia repetitiva de fato chegava do... Será? Estranho. Esse horário? Talvez seja algum vizinho... Esse horário ele deveria estar na escola. Encontrava-se indecisa se deveria abrir a porta e... Ou... Para se convencer, abriu.

Primeiro, um breve silêncio (do tamanho da eternidade), depois do qual a canção, agora com a porta escancarada, chegou nítida (ainda que baixa) aos ouvidos da mulher.

Deus! – solta um grito cortante. – Deus! Oh! meu Deus! – depois o choro e o desespero.

Pérola, gélida e trêmula, ainda conseguiu pegar o telefone e comunicar o fato ao marido. Gilberto, ao chegar pálido e ver seu filho naquele estado, jogado, aquele objeto ao seu lado, não se segurou e chorou.

Vários telefonemas, ambulância, mais choros

Uma breve arrumação no quarto

Contatos com familiares, amigos, vizinhos

Organização do velório:

flores (naturais ou artificiais?)

fitas (brancas ou coloridas?)

caixão (esse ou aquele?)

local (numa funerária ou em casa?)

– meu Deus.

Às cinco horas da tarde, o triste clímax do dia: a chegada do caixão, colocado na sala de estar. Uma jovem de uns 16 anos, morena, cabelos ondulados, os olhos castanhos direcionados ao nada, se aproxima do corpo. Chora. O olhar baço, Pérola repara a moça: Deve ser alguma namoradinha dele... – e conclui.

III –

__ Mãe...

__ O que é, meu amor?

__ Por que as pessoas são tão injustas?

Recorda de quando Júnior (Brad) veio lhe perguntar, após chegar chorando em casa, depois da aula. Engoliu a seco. Por que está perguntando isso? – pensava, tentando achar uma resposta.

__ Por que está chorando?

__ Por que, mãe?... – com seu jeito dócil.

__ Porque...

__ Por quê?... – interrompeu. – Por que as pessoas são tão injustas?


Tão cedo e já descobrira.

Seus cabelos dispersos entre as madeiras escuras, em cima desse suporte dourado, causam na mãe um incômodo, algo inexprimível. Por quê? Por que, meu Deus? Logo ele, tão doce, tão... Próxima ao caixão, ninguém ouvia seu lamento imperceptível. Ninguém ousou falar “caixão” perto dela ao referir-se à morte de Brad. Ela não aceitava a palavra. Não aceitava o fim irremediável como solução. E o pressentimento de que ele cometera um pecado mortal a perseguia, cobria-a de remorso, de medo, de sentimentos adversos. Mas será que Júnior tinha consciência de que cometia um pecado mortal? – tentava sair do labirinto em que entrara. Por que me enfiaram essa droga de culpa, de pecado? – se atormentava ali, de pé. As pessoas cochichavam sobre a morte. Tão novo... Parece que foi suicídio... Ouvi dizer que não. A mãe diz que não. Mas mãe não aceita mesmo a verdade. Deve ser duro perder um filho desse jeito...

Se soubessem, as pessoas, que nada ajudavam em ficar fofocando nos cantos. Tirando os amigos do garoto, que choravam sentidos, sofrendo, e os parentes próximos, os outros, melhor era não terem vindo. Ficassem em casa com sua falsa preocupação! Não estavam realmente tristes. Foi duro para Pérola ouvir no meio do velório, no canto da copa, de uma vizinha distante, a frase que mais lhe doeu (nunca frase alguma a fizera sofrer tanto): Até parece que a mãe nem tá preocupada com a morte do filho. A vizinha não viu que Pérola passava por perto. O que vocês querem?! Querem que eu me descabele?! Que eu grite?! Vão todos pro inferno! Todos! Como meu filho foi... – e ao pensar nisso sentiu remorsos, um arrebatamento íntimo de dor (que veio das profundezas do seu ser). Será que esse sentimento estará para sempre comigo? Será o meu fardo? A minha sina?

De repente as primeiras lágrimas, visíveis às pessoas, caem dos seus olhos, desordenadas. Mesmo chorando, o semblante continuava sério. E sereno.


Não sei, meu filho. É difícil saber o motivo da injustiça das pessoas – deveria ter começado a falar. Mas no instante da pergunta estava tão abalada quanto o menino. Os motivos eram outros. Não encontrou resposta. Garganta seca, as palavras não saíram.

Apenas quatorze anos e já descobriu isso – Pérola refletia enquanto o levava para o quarto. Ele continuava chorando. Fungava. A mãe pensou, mais uma vez, em perguntar o motivo do choro. Não vou perguntar. Talvez não queira dizer...

Sentou-se, encostando-se na cabeceira da cama. Deitou o filho no colo. Passava as mãos em seus cabelos. Na sua testa. No seu rosto inteiro. Tem olhos tão lindos! Ele continuava chorando. A mãe decidira deixá-lo chorar por um tempo para então começar a lhe falar... Mas o quê? Depois, sim, iria perguntar a causa do choro. Passados uns cinco minutos a mãe...


A mãe, agora, se senta em frente ao caixão. Estava cansada. Fica perto do rosto do filho. De vez em quando passa as mãos sobre suas pálpebras e sobrancelhas. O pai ficava ali, suspirando longamente, no canto, sem mirar o garoto. Mirava o infinito. O vazio. Não chorava. Não por falta de vontade. Recaído num estado lancinante, por breves momentos pensou que iria esmorecer. Os olhos viram tudo lívido. Mas não esmoreceu. Apoiou-se em algum lugar. Onde? Não soube explicar. Aguentou. Continuou em pé. Não chorou. Depois daquele instante em que o vira jogado tão estranhamente no quarto, não chorou mais.


__ Filho?

__ Quê?

__ Nenhuma dor dura para sempre. Sempre pense assim...


E agora, ironicamente, Pérola pensava no que falou: Nenhuma dor dura para sempre... O pior de todos os lugares-comuns. Me falaram isso, os parentes, os amigos, tentando me consolar. De nada adiantou.


Teve a ideia de declamar uma poesia a Brad. Talvez a única de que se lembrava de cor. Lera-a, relera-a e a decorara quando, aos dezoito anos, sofrera por paixão. Terminara o namoro com um rapaz. Lera-a e a achara linda. O menino permanecia em seu colo, a cabeça virada para a parede, talvez a olhando, chorando.


Ela que propôs colocar esse véu branco sobre o corpo dele. Tampou todo o corpo com o véu e as flores brancas, deixando o rosto descoberto. O rosto deveria ficar exposto. O rosto, com seus olhos, boca, nariz, ouvido, era a fonte da vida. Mas não era o coração a fonte da vida? O coração estava dentro do corpo. Então como descobrir o coração? Esse véu branco transmitia um ar de pureza. Inocência.

__ Deitado sobre isso, parece estar dormindo... Apenas dormindo... – um breve silêncio.


__ Vamos, não chores... – pausa ao declamar – A infância está perdida... A mocidade está perdida... Mas a vida não se perdeu...

Parecia declamar o poema a si própria, e não ao filho. Com a cabeça em cima do colo da mãe, ele chorava mais moderadamente. Ante o desencanto da vida, ela também sentia vontade de chorar. Mas tinha que ser forte.

__ O primeiro amor passou... – esquecia. Olhava o garoto, seus cabelos claros e lisos sobre ela se espalhavam.

À medida que ia se lembrando, continuava: Perdeste o melhor amigo...  Mas tens um cão...

Errante, Júnior parecia ir pelo mesmo caminho – às vezes, contemplando-o, refletia.

__ Algumas palavras duras, em voz mansa, te golpearam...  Nun... ca... Nun... ca...  cica... trizam... – e repetiu: Nunca... – se contendo.

Tão bonito. Tão lindo – pensava e, ao pensar, achava que pela simples repetição nunca deixaria de acreditar que era tão bonito.

Está quase dormindo...

__ Mas, e o “humour”? – ficou segundos calada antes de continuar: A injustiça não se resolve – sua mão passando pelos cabelos de Brad – À sombra do mundo errado murmuraste um protesto tímido – delicadamente. – Mas virão outros... – a voz se ouvia mínima.

Tão novo e sofrendo. Já enxergando essa realidade impiedosa. Que injustiça...

__ Tudo somado... Tudo... somado... devias...  precipitar-te – de vez – nas águas... Dorme, meu filho...

Apenas dorme.


__ Profundamente...


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Um comentário:

Milton Rezende disse...

belo conto do Rogers, casando perfeitamente com o poema do Drummond.