12 de nov. de 2021

(Sem título)

Por André Siqueira

 

O movimento que faço

para descascar laranja

- leve força circular

na pista de mim mesmíssimo -

supura bordejo cego.

Empinada sensação

de trote dado, sacana

dança a minha dança chama.

O restolho de cavalo

- bicho com perfil perfeito -

pasta o lixo da cidade,

a cidade morta-viva

que corta fuligem cítrica.

E chupo minha laranja.

A pele do céu arder

e a boca do céu fará

corisco dolor e doce,

no estouro azedo dos gomos

remordidos corpo adentro.

Fofo pus azevichado.

 

André Siqueira é poeta e mora em Jacareí, interior de São Paulo. Cursou a faculdade de Letras pela UNIP, mas não concluiu. Publicou em 2020 seu primeiro livro de poesia por uma editora, intitulado As Manhãs Fechadas (Editora Gataria). Possui poemas publicados nas revistas Gueto, Mallarmargens, Ruído Manifesto, Subversa, entre outras. Atualmente é colaborador da revista de literatura Pixé.

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