2 de nov. de 2021

Afinal, quem vai ficar com Mário?

Por Isabel Peixoto

“Tenha coragem para ser feliz”, é com essa frase que começa a narrativa cômica e escrachada de “Quem Vai Ficar Com Mário”, longa brasileiro lançado em 2021. Filme dirigido por Hsu Chien, estrelado por Daniel Rocha, Felipe Abib, Rômulo Arantes Neto, Nany People e Letícia Lima, com roteiro de Stella Miranda, Luís Salém e Rafael Campos, é uma comédia que aborda temas complicados enfrentados pela comunidade LGBTQIA+ no Brasil: machismo, preconceito e intolerância. Quase duas horas de filme trazem conflitos familiares, dança, música, relacionamentos amorosos, churrasco, cerveja e uma série de situações caricatas.

O conflito principal do filme acontece em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, quando Mário (Daniel Rocha) volta para casa a fim de revelar à família, finalmente, que é gay. Porém, seu irmão, Vicente (Rômulo Arantes Neto), acaba contando ao pai que é gay antes que Mário tenha sua chance. A partir daí, os irmãos navegam em emoções e dores ao lidar com uma sociedade que não aceita sua verdadeira identidade, a começar por seu pai.

Quando o pai, Antônio (José Victor Castiel), expulsa Vicente de casa e vai parar no hospital por conta da notícia, Mário se vê obrigado a ajudar no negócio da família, uma grande cervejaria, e estender a viagem curta que havia planejado. A situação ganha novas proporções quando o seu namorado, Fernando (Felipe Abib), e o grupo de amigos chegam do Rio de Janeiro de surpresa.

O filme, que tem características marcantes da comédia brasileira, diálogos espalhafatosos, piadas cruas e muitos trocadilhos, acaba tratando de questões sérias de maneira satírica. O humor é tarefa de todo o elenco, o grupo de amigos de Mário, seus irmãos, sobrinha, pai e governanta, além de Ana, a interessante e linda coach contratada pela empresa da família que se torna o centro de vários conflitos importantes para a identidade do protagonista.

A mensagem principal do filme é a identificação da homofobia a partir de piadas que procuram levar o espectador a perceber comportamentos problemáticos. Apesar da representatividade no elenco e no roteiro, existem alguns problemas no filme, como o estereótipo do “gay afeminado”, que não cai bem com o público.

No contexto em que vivemos, o filme é sem dúvida uma maneira leve e descontraída de abordar um tema importante e reafirmar a importância do respeito e da tolerância na sociedade. “Quem Vai Ficar Com Mário” transmite de maneira alegre e divertida uma mensagem de igualdade e representatividade, além de tentar mostrar a diferença que ambas possuem na vida das pessoas.

Durante as tentativas de reformular a “cara” da cervejaria da família, as personagens abordam relações de poder, posicionamento institucional por parte das empresas e apontam de que maneira as atitudes da marca podem ajudar a comunidade LGBTQIA+.

Um ponto interessante do filme é que a avó de Mário, Helena (Amélia Bittencourt), aceita bem a notícia de que o neto Vicente é gay, enquanto seu filho fica transtornado com a notícia. A mensagem de que todos podem mudar e aceitar as diferenças dos demais é bem clara, e Amélia contribui para que o público veja que é possível ser respeitoso e tolerante em qualquer idade.

Uma resolução simples e romântica para encerrar essa breve celebração das diferenças, o projeto de renovação da cervejaria e os caminhos da família se encaixam de maneira agradável, longe de ser o que acontece diariamente em muitos lares brasileiros, não deixa de ser uma imagem de esperança e desejo de tempos melhores.

Vale a pena pegar uma pipoca e se sentar com os amigos para descansar e rir um pouco! O filme está disponível no catálogo do streaming da Amazon, o Prime Video.

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