28 de out. de 2021

Sobre a Escola do Bem e do Mal

Por Iasmim Assunção

A Escola do Bem e do Mal é um romance de fantasia que se mistura aos históricos contos de fadas e famosos personagens infantis. O primeiro livro da coleção escrita pelo autor e cineasta americano, Soman Chainani, foi publicado em maio de 2013. A narrativa acompanha duas melhores amigas que foram escolhidas para frequentarem as Escolas do Bem ou do Mal, onde estudam para se tornarem heroínas ou vilãs.

A cada quatro anos, dois jovens (um bem-comportado e outro malcriado) do povoado de Galvadon são levados pelo Diretor para a Escola do Bem e do Mal. No entanto, apesar de desaparecerem sem deixarem rastros, anos mais tarde os jovens se tornam parte dos contos de fadas dos livros ilustrados que surgem magicamente na livraria do Sr. Deauville e são distribuídos à toda cidade.  

Em Gavaldon todos acreditam nessas lendas, o que manteve as histórias vivas durante gerações. Isso inclui Sophie, com seu vestido cor-de-rosa e sapatos de cristais, que sonha em ser admitida na Escola do Bem para se tornar uma princesa. Já Agatha, sua melhor amiga, não consegue imaginar como uma cidade inteira acredita em tanta baboseira. Agatha é vista pelo povoado como uma bruxa horrenda, por ser tão estranha, usar roupas desengonçadas e viver com sua mãe e um gato enrugado em um cemitério. Evidentemente, a aventura começa quando ambas são sequestradas pelo Diretor, mas caem nas Escolas erradas. Com essa peça pregada, a obstinada Agatha precisa resgatar a vaidosa e frívola Sophie da Escola do Mal para fugirem e retornarem a Gavaldon.

Há problemáticas interessantes para serem discutidas em A Escola do Bem e do Mal. Na Escola do Bem, as princesas têm o papel único de serem belas e praticarem supostas Boas Ações enquanto esperam indefesas que seus cavalheiros as salvem. Há muitas relações construídas por causa de interesses materiais e de status, principalmente após o ingresso de Tedros Pendragon, futuro rei do mais famoso reino – Camelot –, na Escola do Bem. Já na Escola do Mal, os vilões procuram por um propósito maior e com uma finalidade. Apesar de não simpatizarem com os heróis, eles são ensinados a verem a Escola do Bem como necessária para manter o equilíbrio do universo mágico. Na Escola do Mal, os alunos possuem aulas de Enfeiamento, entre tantas, e aprendem a se livrarem das aparências que contribuem para a futilidade. 

Ainda assim, Agatha – que passou a vida recebendo ofensas por conta de seus modos e sua falta de beleza, portanto levando-a acreditar que nunca poderia ser formosa – tem um desenvolvimento (após muita relutância) que busca a confiança na personagem rodeada por brilhosos cabelos louros e corpos suntuosos de meninas na Escola do Bem. Isso ocorre enquanto Sophie usa todos os encontros entre os Sempre e Nunca (como são chamados, respectivamente, os alunos da Escola do Bem e Escola do Mal) para ser notada por Tedros, o príncipe que deveria salvá-la. Sophie permanece desesperada para que Agatha passe a frequentar o lugar a que realmente pertence, e não a Escola que deveria ser sua.

Apesar de alguns aspectos sobre a trama parecerem óbvios, Soman Chainani surpreende com as ações que determinam qual lado o personagem está. O autor se aprofunda igualmente em ambos os pontos de vista das histórias para entender suas motivações. Com isso, os leitores podem ficar indecisos quando torcer para o Bem ou para o Mal. O autor procurou se distanciar da monotonicidade, e criou uma linha tênue para que o leitor tire suas conclusões sobre o certo ou errado, moral ou antiético.   

Um destaque para os personagens secundários tão cativantes. Na Escola do Bem, Tedros Pendragon procura por uma princesa que vê além de suas posses como príncipe de Camelot. Mesmo sendo cabeça-dura, agindo antes de pensar e sentindo uma necessidade enorme de parecer-se inabalável, Tedros é um menino sensível, confiante e conquista eventualmente a empatia dos leitores. Já na Escola do Mal, há o coven de três bruxas assustadoras e icônicas, maleficamente divertidas e essenciais em disputas que ameaçam as cabeças de todos. Além disso, o personagem mais querido do fandom: Hort, o Nunca astuto, mas pateta e inexplicavelmente apaixonado por Sophie. Hort tem os cabelos negros, olhos marrons e queixo pontudo, e é descrito para se assemelhar com uma doninha.

A Escola do Bem e do Mal é mais uma aposta da plataforma de streaming Netflix, que está dando a devida atenção para adaptações. O elenco do filme que será lançado no primeiro semestre de 2022 conta com Sophia Anne Caruso interpretando Sophie, Sofia Wylie como Agatha, Jamie Flatters como o príncipe de Camelot, e outros nomes de peso: Charlize Theron, Laurence Fishburne, Kerry Washington. Além desses, o ator Kit Young, que interpreta Jesper Fahey em uma das maiores séries da Netflix (a também adaptação Shadow and Bone) está escalado em The School for Good and Evil, assim como Earl Cave (filho do lendário Nick Cave, estrela do rock), que viverá o Hort.


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3 comentários:

Tita disse...

Ótima resenha

Unknown disse...

Eu adorei a resenha, e como fã da história dos livros, posso dizer fiquei encantada com esse momento de fama para a saga. <3

Anônimo disse...

Que resenha perfeita!!! Essa série merece todo o reconhecimento