2 de out. de 2021

Farinhei 451

 Por Glênio Cabral

Lançado há 50 anos, o mega clássico distópico Farenheit 451, do autor Ray Radbury, nunca foi tão atual. O livro retrata uma sociedade totalmente entorpecida pelo entretenimento, a ponto de mergulhar num processo de desumanização generalizada, fazendo com que as pessoas vivessem em bolhas alienatórias de pura diversão e prazer, ignorando o verdadeiro caos ao redor. Ao mesmo tempo, nessa sociedade ler é uma atividade proibida. Afinal, a leitura incomoda, faz pensar, toca nas feridas anestesiadas pela seringa de programas televisivos de massa e afins. Coincidência? Pra piorar, os bombeiros agora são responsáveis por fiscalizar as atividades ilegais de leitura e queimar as obras aprendidas, numa espécie de inquisição contra o saber. Em tempos de negacionismos, onde cientistas são perseguidos e acadêmicos condenados à fogueira santa, Farenheit 451 lança luz nas trevas que se alastram, mostrando que a luz é sempre uma opção. Uma ótima opção.   

Um comentário:

Milton Rezende disse...

muito bom ter o Bule de volta outra vez e logo de cara com este texto atualíssimo, que serve como um alerta e um estímulo contra a idade das trevas que tentam implantar.