6 de mai. de 2021

Um andarilho dentro de casa

Por Milton Rezende

 

O piso da minha alma

ressoam em meu cérebro

ecos de canções que eu

nunca escreverei jamais.

 

mas existem em mim

como acordes tangíveis

do que se aspira a ser.

 

à sombra do músico adormecido

eu vivi a minha vida inteira assim

disfarçado de poeta como se fosse

 

um andarilho dentro de casa.

 

Questão crucial            

A noite fria

e a fonte está seca.

Não dá mais e preciso

retroceder ao ponto

de onde parti.

 

Mas será possível

voltar atrás após o

desmonte de pontes

e das possibilidades

de travessia?

 

Lá embaixo o rio precário

me dizia que sim e que não

e eu não sabia no que acreditar,

vendo as suas poucas águas

indiferentes e convidativas.

 

Do livro O jardim simultâneo (Penalux, 2013). Pedidos de exemplares pelo e-mail coisasprobule@gmail.com. Preço: R$ 44,00 com frete incluso.


Tempo e labirinto

Belas paisagens

de frio

e hoje está

frio.

 

Como nos dias

antigos

e os pés gelados

do menino.

 

A quadrilha

tardava

a começar

e o meu par

foi embora.

 

Festa junina

na roça

e a promessa

da dança

para a próxima.

 

Desafio de

caipiras

na viola

(dentes de fora)

ao redor

da fogueira.

 

Chapéu de palha

e o aconchego da

cama arrumada.

 

Dormir de

madrugada

com o compromisso

da prova na escola.

 

“Ano que vem

nóis dança”

e, desde então,

eu aguardo a

chegada do futuro.

 

Do livro Uma Escada que Deságua no Silêncio (Editora Multifoco, 2009), esgotado.

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