27 de nov. de 2020

Bundas

Por Glênio Cabral

Bundas.

Me desculpem o termo, mas vou repetir: bundas. Bundas aflitas, angustiadas, desesperadas e ansiosas.

Bundas que correm aos montes, aglutinadas, como nádegas ensandecidas, em busca do prêmio maior nesses dias de crise: o papel higiênico.

Tais bundas não se mostram empáticas.

Nem solidárias. Tais bundas recolhem todo o papel higiênico disponível no mercado, se esquecendo que há, sim, outras bundas nesse universo.

São bundas ensimesmadas, egocêntricas, que enxergam a vida apenas numa perspectiva “bundocêntrica”.

Então, quando confrontadas acerca de seu egoísmo latente, as bundas aflitas rebatem: “nádegas a declarar”.

Mas há outras bundas. Bundas serenas. Bundas tranquilas. Bundas que, a despeito do caos eminente, conseguem pensar na nádega ao lado.

Bundas que desejam, sim, um papel higiênico, mas o buscam de forma consciente e respeitadora. São bundas que não provocam desabastecimento, pânico e não incentivam o caos.

Por isso mesmo, não são “bundas mole”.

São firmes. São cheias de esperança. São altruístas. E, acima de tudo, acreditam firmemente que as coisas vão melhorar.

Que bom é saber que há bundas assim. Nesse mundo repleto de “bundões”, tais bundas são um raio de esperança.

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