10 de set. de 2020

Como fogo iluminando o caminho

Por Iasmim Assunção

O romance Carry On: Ascensão e Queda de Simon Snow foi publicado no dia 28 de junho de 2016 pela editora Novo Século. A autora norte-americana Rainbow Rowell trabalha com livros para jovens-adultos e já recebeu vários elogios da crítica com seus best-sellers Eleanor & Park,  Fangirl e Carry On, que possui uma continuação chamada Wayward Son. Carry On nos apresenta o bruxo Simon Snow em sua jornada fantástica de “se sacrificar para salvar o mundo mágico” (bota aspas nisso).

Simon Snow estuda na Escola de Magia de Watford, na Inglaterra. Simon é o Escolhido, de acordo com profecias, e precisa salvar o mundo mágico, mesmo sendo tão desastrado a ponto de não conseguir controlar sua própria varinha. Uma entidade sinistra, chamada Insípidium, ronda por aí usando o rosto de Simon, e criando buracos negros ao redor do mundo, sugando a magia do mapa destes locais chamados de “zonas mortas”.

Ainda por cima, Simon precisa investigar o paradeiro de seu colega de quarto, inteligente e poderoso arqui-inimigo, Baz Pitch. Simon jura que Baz está armando algo, já que este prometeu fazer do último ano de Simon na Escola de Magia um inferno, começando com a tentativa de roubar sua namorada. Simon flagrou Baz e Agatha de mãos dadas no bosque, mas achava que não tinha o direito de terminar com Agatha, pois eles estavam destinados a ficarem juntos se Simon sobrevivesse aos ataques do Insípidium e à Escola de Magia. Os dias vão se passando, e Simon, assim como sua melhor amiga Penélope e sua namorada Agatha, ficam desnorteados com o sumiço de Baz.

Até que um fenômeno que só ocorre a cada 20 anos traz de volta o espírito da antiga diretora da Escola de Magia de Watford, que também é mãe de Baz. A mãe de Baz não encontra seu filho, até então desaparecido, então usa o colega de quarto de Baz, Simon Snow, para passar a mensagem de que seu assassino está a solta e precisa ser encontrado para que seu espírito encontre paz. Os mistérios sobre Baz e a tal entidade sinistra vão se desenrolando ao decorrer da história e envolvem o leitor.

Para resolver o mistério do assassinato da mãe de Baz, também relacionado com salvar o mundo mágico, Baz, Simon e Penélope precisam trabalhar juntos. Após o misterioso sumiço e a volta de Baz, eles precisam deixar suas desavenças de lado e se ajudarem, já que o mundo está contra o Simon, pois acham que O Escolhido é o próprio Insípidium, por terem o mesmo rosto. Para isso, Simon e Baz finalmente vão ter que lidar com a atração que sentem um pelo outro, ao mesmo tempo que salvam o mundo do monstro sugador de magia.

Carry On prende do começo ao final. No início, enquanto Baz está desaparecido, só conhecemos o personagem através de Simon, que não possui em seu vocabulário um único adjetivo bom para descrever aquele. Depois que o conhecemos, Baz é, para mim, simplesmente um dos melhores personagens literários. Ele é o famoso personagem sarcástico, de cabelos longos pretos, um maxilar definido e um passado triste, que deixa os leitores encantados com os flertes intensos. Já Penélope é a sensata e inteligente e está sempre com Simon. A amizade dos dois é super divertida e, graças a Deus, Rainbow não passou nem perto de um romance. O livro é narrado por vários personagens, o que é ótimo, mas ao mesmo tempo ruim, porque algumas narrações fazem o leitor querer revirar os olhos a cada minuto, como os da Agatha, a namorada sem graça de Simon. Apesar disso, é visível a personalidade de cada personagem em seus respectivos capítulos. Os diálogos são curtos, inteligentes, mas cheios de humor e intensidade, sobretudo quando está se aproximando o clímax da história.

A história de Simon e Baz surgiu de outro livro da mesma autora, Fangirl, no qual a personagem principal Cath escreve fanfictions sobre os personagens Simon e Baz, desconhecidos para os leitores. Rainbow Rowell decidiu escrever um livro próprio para Simon Snow (Glórias) depois da publicação de Fangirl.

Para os que acharam a sinopse parecida com uma certa saga de J. K. Rowling: foi intencional, justamente pela história ter surgido através de uma fanfic. Ainda assim, não, não é igual a Harry Potter. A leitura de Carry On é mais fluída, não é cheia de detalhes. Rainbow não está interessada em apresentar para nós cada pedaço e ser do mundo bruxo. O universo dos bruxos de Carry On não é tão complexo, como se eles tivessem poderes mas vivessem em um mundo normal. Uma das coisas que mais gosto neste romance são os feitiços, que são simplesmente hilários. Em um momento, até a letra de uma música do Queen, Bohemian Rhapsody, é usada como feitiço. A escola de Watford é como uma Hogwarts moderna, e ao decorrer do livro Carry On vão surgindo críticas aos livros de fantasias. Simon não é o herói, Penélope não é branca, Baz não é hétero e a Escola Watford não tem a estrutura de séculos passados, apesar de ser uma escola, em sua maioria, de alunos de famílias mágicas importantes.

Os mistérios entorno de cada personagem estão interligados, e eles se desenrolam gerando várias perguntas, o que deixa os leitores cheios de teorias e expectativas. O final não foi o que eu pensava, pois achei o desenvolvimento da história melhor do que a conclusão em si, principalmente porque alguns personagens tiveram um destino bem miserável. O romance não é a principal parte de Carry On, mas são as cenas de Simon e Baz que deixam os leitores soltando gritinhos e sorrindo como idiotas. Em minha opinião, Baz, Simon e Penélope não são cópias de Harry, Draco e Hermione porque são muito mais interessantes. 


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** Livros podem ser enviados a’O Bule para serem resenhados, cabendo aos editores a seleção. Tratar pelo e-mail coisasprobule@gmail.com

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