12 de jul. de 2020

Futuro do Pretérito Composto (Saudade do que não foi)

Por Glenio Cabral

É possível sentir saudades do que não se viveu? Acredito que sim. Isso acontece quando a gente descobre que poderia ter vivido algo muito interessante e que, por alguma razão, não viveu.

Que poderia ter vivido se quisesse, era só uma questão de ter ido à luta, insistido, abraçado os riscos e as possibilidades, mas por não ter tido coragem e iniciativa, acabou não vivendo. E aí, a coisa não caminhou.

Essa sensação é um tipo de arrependimento pela chance que um dia se teve e que não se aproveitou. Aí, amigo, o negócio fica feio. Porque perder uma luta transpirando e dando o máximo de si é uma coisa. Já perder por não comparecimento ao jogo...

É quando vem a saudade. A saudade do que poderia ter sido. A saudade do que não foi, tendo tudo pra ser. A saudade do que não se viveu, não por ausência total de possibilidades, mas por pura fraqueza de espírito.


Se eu pudesse transformar essa sensação num tempo verbal, eu diria que estamos falando do Futuro do Pretérito Composto.

O Futuro do Pretérito Composto é utilizado para falar de acontecimentos que poderiam ter acontecido e acabaram não se concretizando.  Como se conjuga isso na gramática e na vida? Utilizando o verbo auxiliar “ter” no futuro do pretérito, por exemplo, seguido do particípio passado do verbo principal. Vejamos:  

“Teríamos viajado para a Europa, mas não tivemos dinheiro”.

“Eu teria me casado se pudesse, porém não tive forças para lutar por seu amor”. 

Está vendo? Por isso ele é um tempo verbal melancólico, já que carrega em sua conjugação resquícios de arrependimento, saudade e frustração. Sempre vai haver um “teria” que tinha tudo para ser, mas que não foi por alguma razão. É quando vem a saudade do que não foi.

A pior saudade não é aquela que chora pelo passado. É a que chora pelo futuro, pelo futuro do pretérito composto. Pelo futuro que foi sepultado pelo medo, pela covardia, pela preguiça e pela indolência.

Quer um conselho? Nunca perca uma luta por W.O. Não faz bem para a saúde física e mental. 

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