27 de nov. de 2012

Odisseu


Por Geraldo Lima

Estou prestes a adentrar uma região vasta, assustadoramente vasta. Mundo ermo, movediço, imprevisível. A partir daquele ponto ali, onde a luz cega e alucina, meu ser vagará à deriva, entregue aos caprichos da sedução.

Posso, nesse caso, fechar os olhos e tapar os ouvidos, blindando-me contra  o fascínio da beleza e a magia da voz. Poderia, inclusive, fazer meia-volta e retornar daqui, onde sinto ainda a terra, firme e segura, sob meus pés. Poderia. Mas uma força extrema me arrasta para fora de mim. Ah, um deus furioso deve ter me atirado nessa aventura insana, pois nunca alimentei em mim tanto desvario.

Ouço o canto da sereia e avanço despido de razão e prudência.

4 comentários:

Anônimo disse...

Amei!
Tem poesia aqui, Geraldo Lima. Dá para ler com a alma.
Parabéns!

Fernando Rocha disse...

Gosto do recurso da intertextualidade, ainda mais quando bem usado. O risco eterno de quem não se satisfaz dentro da zona de conforto, e atira-se rumo ao desconhecido.
Talvez os mitos continuem explicando mais do que as soberbas teologias da modernidade, talvez...

Geraldo Lima disse...

Obrigado, Ceres, pela leitura e pelo comentário generoso. Um abraço, amiga.

Geraldo Lima disse...

Fernando, gosto desta expressão "zona de conforto". Costumo usar a expressão "eixo de comodidade. Tirar o leitor do seu eixo de comodidade. É isto: deixá-lo sem apoio, à deriva, como Ulisses, até se encontrar outro. Valeu! Um abração.