21 de set. de 2012

Sutura

Por Marcia Barbieri

As dobras e redobras de um corpo sem órgão:

lindo bebê deformado,
do nascimento só me sobrou a viscosidade da placenta
a linha-curvatura-do-fora-cartografia-escalas-estrias
de uma catástrofe cotidiana - memória palato fendido

no retrovisor sua imagem é uma abstração que não pode ser codificada
a subjetivação sem sujeito
nasci assim, órfão, despencado da cloaca de Deus
nos templos o homem exibe nuas cabeças decepadas

o pódium é o lugar da não-ocupação
e eu sou um homem de corpo coalhado.

Um comentário:

Ronie Von Rosa Martins disse...

Artaud e Deleuze se encontram no teu texto. Parabéns...