27 de ago. de 2012

Gritos


Por Geraldo Lima

De repente o tempo fechou dentro do salão. Vi um brilho de metal luzir sob a luz da lâmpada e dezenas de pessoas precipitarem-se em direção à porta. A porta, como era de se esperar, tornou-se estreita demais para tantos corpos, para tanto desespero. Consegui vazar pela janela e sumi dentro do breu. Parei uns quinhentos metros depois, sem ar nos pulmões e coragem para avançar no escuro. Então fechei os olhos e tapei os ouvidos para não ouvir nada, nem o tinir do aço nem o estalido  das armas de fogo. Mas na mente, sem que eu pudesse  interromper, a cena continuou a desenrolar-se violenta e gangrenada.

3 comentários:

Fernando Rocha disse...

O outro tempo,a dor e a delícia de pensar e sentir, se fossemos apenas pedras...

Anônimo disse...

Com poucas palavras, representou bem a sensação do caos, não apenas fisico, mas mental. Parabéns!

Anônimo disse...

Deu vontade de que continuasse, apesar de ter continuado.