21 de abr. de 2012

Croqui

Por Marcia Barbieri

Assisto a lentos suicídios – layouts da solidão,
dolorosos e mortos como cadáveres de irmãos
boiando na inconsistência do mundo
- mártires esquartejados.

Descanso sob a nudez dos vitrais
negros cães raivosos devoram
as estrelas das noites obscuras,
obtusas regurgitações.

Minhas mágoas são peroladas,
estrias profundas no abdômen,
vísceras às avessas.

 Atravesso as teias das manhãs
brancas e vazias
onde crescem flores de beleza
vulgar e furtiva
-íntimas erosões. 

2 comentários:

Wagner Bezerra disse...

O futuro é realmente tenebroso... :/

Fernando Rocha disse...

Parece haver uma intertextualidade com as flores que brotam no "Pianista boxeador", na última estrofe. O segundo e o terceiro verso da primeira estrofe são matadores.
Acho que boio como um cadáver, mesmo ainda estando vivo.