15 de mar. de 2012

Fandemônio nº 3: Por um cardápio mais variado

Por Roberto de Sousa Causo


Eu nasci em 1965, quando a bota do regime militar já tinha um aninho nas costas da sociedade. O regime foi encerrado em 1985, com a eleição de Tancredo Neves para a presidência da república. Eu tinha 19 anos. Isso significa que boa parte da minha infância foi vivida durante os “Anos de Chumbo” (1968-1975), e parte da adolescência na “Abertura Politica” (1975-1985).

Todos sabem que com a ditadura vieram a censura das artes e do pensamento, além da perseguição política, o exílio forçado e lutas clandestinas contra a guerrilha comunista ou resistência armada ao regime. Vivendo em uma cidade do interior, eu e os meus parentes e amigos fomos provavelmente poupados do pior dessas situações – embora eu tenha conhecido, ao longo do caminho, pessoas que tiveram perdas pessoais muito graves.

Algo que ficou claro nesses anos de formação, porém, foi a ausência de discursos de direitos civis e individuais, fosse na escola, fosse nos meios de comunicação. Especialmente nas artes, sempre na mira da censura, ainda que algum argumento libertário aparecesse aqui e ali, como na abordada telenovela Eu e a Moto (1972-1973), escrita por Amaral Gurgel a partir de argumento de Roberto Freire, um psicanalista que se autodeclarava anarquista. E a crítica ao autoritarismo aparecia na posterior Saramandaia [http://pt.wikipedia.org/wiki/Saramandaia] (1976), escrita por Dias Gomes, porém dentro da tradição do realismo mágico e repleta de traços absurdistas – um marco da TV brasileira.

Mas por acidente circadiano, meus hábitos noturnos me fizeram assistir uma infinidade de filmes americanos sobre minorias e o movimento pelos direitos civis – já que a maioria deles era exibida durante a madrugada. Hoje eu me pergunto se os programadores os colocavam propositalmente nesse horário para driblar a censura, embora as produções americanas devessem ter alguma latitude junto aos censores, já que os EUA eram os maiores patrocinadores dos esforços anticomunistas no mundo, e, apesar de atritos ocasionais, ainda eram o nosso modelo principal de desenvolvimento e de consumo.

Essa dieta de filmes – e mais tarde de literatura – de cunho libertário ou reivindicativo me influenciou muito e me deixou impaciente com conceitos do tipo “arte pela arte” e “solipsismo” na literatura. Conseguir se expressar livremente e criticamente é um privilégio, e com certeza ainda havia muito a se criticar na sociedade brasileira, ao fim da ditadura. Observando casualmente a literatura brasileira hoje, me parece que ainda estamos devendo no uso desse privilégio.

Em 25 de fevereiro deste ano, o escritor de ficção científica Luiz Bras me enviou e-mail que dá uma pista das razões que existiriam por trás dessa dívida: “Estive relendo um artigo de 2005 da professora Regina Dalcastagné, da UnB, sobre a pesquisa O Personagem do Romance Brasileiro Contemporâneo. Durante dois anos, Regina e sua equipe fizeram um levantamento estatí­stico. Alguns números interessantes: setenta por cento dos personagens do romance brasileiro contemporâneo são do sexo masculino, oitenta por cento dos personagens são brancos e apenas oito por cento são negros. Sobre a orientação sexual: oitenta por cento são heterossexuais. A principal ocupação dos personagens masculinos é a de escritor. A principal ocupação das personagens femininas é a de dona-de-casa. No final, temos a comprovação estatística de que a grande maioria dos personagens é formada por homens brancos, hetero, europeizados, remediados (da classe média pra cima). Os pobres e os negros estão praticamente excluí­dos de nossa prosa de ficção. O mesmo vale para outros grupos: a mulher, o gay, a criança, o í­ndio, o velho, o deficiente...” Com seu e-mail, Bras acabou fornecendo o assunto desta coluna.

Na apresentação do seu livro, a Prof.ª Dalcastagné observa [LINK] que, “Ao interromper suas atividades e abrir um romance, o leitor busca, de alguma maneira, se conectar a outras experiências de vida. Pode querer ali encontrar alguém como ele, em situações que viverá um dia, ou que espera jamais viver. Mas pode ainda querer entender o que é ser o outro, morar em terras longínquas, falar uma língua estranha, ter outro sexo, um modo diferente de enxergar o mundo. O romance, enquanto gênero, promete tudo isso a seus leitores – que podem ser leitoras, que têm cores, idades, crenças, instrução, contas bancárias, perspectivas sociais muito diferentes entre si. Portanto, a promessa de pluralidade do romance... envolve não só personagens e narradores(ras), mas seus (suas) leitores(as) e autores(as).” Dalcastagné exprime seu “estranhamento quando determinados grupos sociais desaparecem dentro de uma expressão artística que se fundaria exatamente na pluralidade de perspectivas”. Para ela, faltam dois grandes grupos na literatura brasileira contemporânea: os pobres e os negros.

A resposta automática para esse tipo de denúncia é a de que cada autor faz o que quer com a liberdade de expressão que tem. E daí se alguém deu o sangue para o retorno desse direito, supondo que ele seria usado para discutir coisas significativas e não para o umbiguismo eterno de escritores brancos de classe média descontentes com o status da sua classe no Brasil? O que importa é que o direito esteja sendo exercido livremente. O argumento modernista de que o que importa na literatura é a inventividade do estilo também é desculpa para se abandonar o esforço de contato com o outro – o que aparece no embaraço de Leandro Oliveira, ao resenhar [LINK] o épico afro-brasileiro de Ana Maria Gonçalves, Um Defeito de Cor (2006). “O grande problema ao se ler [o romance] de Ana Maria Gonçalves”, Oliveira escreveu, “é que tudo o que o livro tem de grandioso e sublime, é apresentado dum modo sutil, numa estrutura tradicional”.

Enfim, a chamada “crise da representação” – a idéia de que a realidade é construída pela linguagem ou de que a realidade não pode ser representada pelos recursos da literatura – também vem justificar o isolamento do autor. O pensamento francês pós-estruturalista tem uma formulação variante: “O texto só pode dizer uma única verdade, a saber: que a verdade não existe ou que ela se mantém para sempre inacessível”, nas explicação do intelectual búlgaro-francês Tzvetan Torodov.

Embora tais respostas me soem insuficientes, cada autor realmente realiza o que quiser e puder, a partir das condições disponíveis. E não obstante, coletivamente a sua realização derradeira pode muito bem ser a mesmice desanimadora que o próprio Luiz Bras desmascarou, com bravura e audácia campeãs, no já obrigatório ensaio “Convite ao Mainstream” [LINK]: “Os heróis da prosa de ficção brasileira estão cansados. Entediados. Sem motivação. Eles não agüentam mais viver sempre as mesmas manjadas situações. Faz pelo menos vinte anos (ou mais) que sua rotina não muda.” E a do leitor também. Quais são as repetições, na visão de Bras: “Os mesmos dramas dos mesmos intelectuais entediados, da mesma classe média idiotizada, dos mesmos marginais marginalizados, dos mesmos indigentes tresloucados, da mesma juventude transviada.”

De onde emana essa inclinação para a repetição de recursos e abordagens? Quem acha que só a literatura de gênero tem fórmulas e lugares-comuns não podia estar mais enganado – o mainstream literário adora a cópia do autor consagrado e o reforço ideológico reconfortante que a repetição traz. Mas ao fazer o perfil do escritor brasileiro, Regina Dalcastagné fornece outras pistas: “Ele é homem [72,7%], branco [93,9%], aproximando-se ou já entrado na meia idade, com diploma superior [78,8%], morando no eixo Rio-São Paulo.” E sua ambientação favorita é urbana: “82,6% dos romances têm na grande cidade como um de seus cenários”.

Ou seja, existe um conjunto de coordenadas pessoais que os escritores brasileiros partilham, e que claramente informa a sua escrita. No âmbito da ficção científica recente, essa tendência foi explicitada pelo argumento da identificação, repetido pelos membros da Terceira Onda da Ficção Científica Brasileira (2004 ao presente), como o vocal Alexandre Lancaster, aqui reagindo a um anúncio, postado na lista Tecelagem dos Sonhos, do meu livro de contos A Sombra dos Homens (Devir, 2004), uma série de fantasia heróica protagonizada por um índio: “Não somos índios e não vivemos em tabas. Não encontro identificação possível nisso. Somos parte de algo chamado civilização ocidental.” E, “só para fechar, todo mundo sabe o que os portugueses fizeram com as nações indígenas aqui. Não acho que eu queira me identificar com quem foi derrotado não.”

Por essa lógica, o autor precisaria dirigir de caso pensado as suas representações ao estrato social da maioria dos seus leitores potenciais – o eixo Rio-São Paulo, diria Regina Dalcastagné, que adverte no seu estudo, tratando da tendência realista do mainstream brasileiro: “O efeito de realidade gerado pela familiaridade com que o leitor reconhece o espaço da obra acaba por naturalizar a ausência ou a figuração estereotipada de mulheres, de negros e de outros estratos subalternos.”

Contudo, mais do que visar um leitor semelhante a ele, no seu desejo de ser um agente dinâmico “de transformação do mundo ao redor”, “gente que deixa uma marca por onde passa”, nas palavras de Lancaster, o autor seria levado a recusar solidariedade a quem é visto como perdedor no processo histórico.

Em 1992, conheci Bruce Sterling pessoalmente na 50.ª Convenção Mundial de Ficção Científica, em Orlando, nos EUA. Pedi a ele uma entrevista, que gravamos no corredor o hotel. Lá pelo meio eu levantei uma questão surgida em reunião do Clube de Leitores de Ficção Científica – Fábio Fernandes se perguntando se um escritor do Primeiro Mundo seria capaz de alcançar a realidade do Terceiro – como Sterling fez no premiado romance Piratas de Dados (Islands in the Net; 1988). A resposta de Sterling: “Você poderia igualmente perguntar se uma pessoa que é rica e letrada pode descrever a vida de alguém que é pobre e analfabeto. Ou ainda se um homem pode descrever a vida de uma mulher, ou uma mulher descrever a de um homem. Ou um adulto descrever uma criança, ou seja lá o que for. Posso não ter conseguido, mas deve-se fazer uma tentativa. Pode-se mostrar algum tipo de simpatia.”

Com A Literatura em Perigo (La littérature en péril; 2010), Tzvetan Torodov, crítico estruturalista de entrada garantida nas universidades brasileiras, se mostra cansado da tendência contemporânea de ter o ensino de literatura subordinado ao ensino de teorias da literatura e da cultura. Ele lembra que o leitor busca a literatura para encontrar em suas obras “um sentido que lhe permita entender melhor o homem e o mundo, para nelas descobrir uma beleza que enriqueça sua existência; ao fazê-lo, ele compreende melhor a si mesmo”.

Todorov enxerga a prática teórica contaminando a produção literária: “A concepção redutora da literatura não se manifesta apenas nas salas de aula ou nos cursos universitários; ela também está representada de forma abundante entre os jornalistas que resenham livros, e mesmo entre os próprios escritores. Devemos nos espantar? Todos esses críticos [e autores] passaram pela escola, muitos deles também pelas faculdades de Letras, onde aprenderam que literatura fala apenas de si mesma e que a única maneira de honrá-la é valorizar o jogo de seus elementos constitutivos.” Argumento que serve para a França e serve para o Brasil, e que nos fornece outra resposta para a pergunta “de onde emana essa inclinação para a repetição de recursos e abordagens?”, a partir da denúncia por Luiz Bras. Certamente, as teorias em trânsito no ensino universitário contribuem para moldar a literatura brasileira contemporânea.

Freqüentemente, as teorias favorecem o formalismo na literatura: “Numerosas obras contemporâneas ilustram essa concepção formalista da literatura”, diz Todorov, que agrupa ainda outras duas tendências: “uma visão de mundo... niilista, segundo a qual os homens são tolos e perversos, as destruições e as formas de violência dizem a verdade da condição humana, e a vida é o advento de um desastre”, e nesse caso, “mais do que uma negação da representação, [a literatura] se torna a representação de uma negação”; e “uma atitude complacente e narcísica”, que ele chama de “solipsismo, de acordo com essa teoria filosófica que postula que o si mesmo é o único ser existente”. Para ele, “niilismo e solipsismo são claramente solidários”, na medida em que ambos “repousam na idéia de que uma ruptura radical separa o eu e o mundo, isto é, de que não existe mundo comum”. Essa observação é uma das fundamentações do seu apelo contrário – partilhado por Antoine Compagnon e outros intelectuais franceses –, no sentido de que a literatura volte a tratar do mundo, a olhar para o outro, a procurar um terreno em comum.

Mas se estamos falando de ficção científica, um gênero que imagina outros mundos, que pode se passar no futuro distante, que sentido há em pedir que nossos escritores olhem em torno e reconheçam a existência da diferenças de cor e gênero sexual, de diferentes visões de mundo informadas por etnia, religião, nacionalidade e classe social?

Pois mesmo na FC existe tendência semelhante à buscada por Todorov e Compagnon. Sem dúvida, o Movimento Cyberpunk de Bruce Sterling e William Gibson tentou trazer o gênero do afastamento da space opera e da fantasia heróica ou das histórias de pós-holocausto para uma análise das transformações tecnológicas e sociais possíveis. Hoje, o movimento “Mundane SF” [LINK], de Geoff Ryman, escritor canadense radicado na Inglaterra, aponta os vícios mais costumeiros (novamente a denúncia do cansaço da repetição) de uma FC que abriu mão da uma significação social tomada a partir da análise do local e do contemporâneo: a colonização espacial, a destruição da Terra, a imortalidade, as viagens no tempo, os universos paralelos e a tradução da consciência humana em linguagem de computador. “Nós sentimos que é como se a FC tivesse acumulado tantas idéias improváveis e se apoiado nelas tão regularmente”, Ryman argumentou [LINK], “que ela se desconectou da realidade. Os futuros que ela retratava eram tão improváveis a ponto de serem irrelevantes, se não forem na verdade danosos.”

Em seu lugar deveria existir, segundo Ryman, uma postura de FC hard que use a ciência para questionar os caminhos possíveis do desenvolvimento social, político e humano. Outros campos científicos continuariam constituindo alternativas interessantes para esse fim, incluindo a robótica e a informática, a engenharia genética e a nanotecnologia. O objetivo é nos livrarmos de idéias que mascaram o aqui e agora e adotarmos recursos que aumentem a consciência do leitor quanto aos problemas atuais, e que apontem soluções.

O movimento foi, como é inevitável, bastante atacado nos círculos da FC em língua inglesa. Eu mesmo não o subscreveria em sua totalidade – não apenas porque muitas das idéias inviáveis listadas sejam irresistíveis, mas porque a ficção científica também incorpora um lado alegórico que pode ser alcançado pela noção absurda ou improvável, sem deixar de conseguir de alertar o leitor para a realidade e as premências da sua época.

Não obstante, o apelo de um empenho maior na análise e extrapolação do social e do político como uma das justificativas da importância da FC também é inegável. Para a FC brasileira, na qual a tentativa de imaginação do Brasil e do mundo nos, digamos, próximos cinqüenta anos, é tão rara, o tempero do mundano parece mais do que opcional. Já passou da hora de buscarmos essa função do gênero. Para isso, é obrigatório o gesto de simultânea audácia e generosidade de olharmos para além das nossas coordenadas pessoais de classe, cor, gênero e opção sexual.

Alguns sinais de mudança, que merecem a consideração do leitor: as antologias A Fantástica Literatura Queer, organizadas por Cristina Lasaitis e Rober Pinheiro para a Tarja Editorial, nos lembram que outras sensibilidades sexuais estão disponíveis também para a FC; e a ficção de horror de Giulia Moon ganhou um interesse maior quando ela resolveu investigar suas raízes japonesas, nos romances Kaori: Perfume de Vampira (Giz Editorial; 2009) e Kaori 2: Coração de Vampira (2011). Uma autora como Simone Saueressig trouxe cores nativas e africanas à sua fantasia juvenil, e até um escritor americano como Christopher Kastensmidt busca colorir a sua fantasia heróica reconhecida internacionalmente, com essas tonalidades. Enfim, a FC brasileira também tem seus autores afro-descendentes, como Júlio Emílio Braz e José Roberto Vieira.

Não obstante, há mais de vinte anos que setores da ficção científica em língua inglesa pedem mais diversidade nesses campos, pede mais cor no cardápio da FC. E nós, vivendo num dos países mais coloridos do mundo, freqüentemente insistimos no monocromático (e insípido), em nome da adesão aos modismos do gênero, de uma suposta “identificação” com o público alvo, de supostos “estereótipos culturais” a serem evitados – ou de uma liberdade artística individual que soa cada vez mais como a própria negação dessa liberdade.

Repetindo uma metáfora que já empreguei antes [LINK], “assim como o Brasil dos muitos biomas é detentor da maior biodiversidade do planeta, nossa literatura deveria refletir a mesma diversidade”.



Roberto de Sousa Causo é autor dos livros de contos A Dança das Sombras (Caminho, 1999), A Sombra dos Homens (Devir, 2004), dos romances A Corrida do Rinoceronte (Devir, 2006) e Anjo de Dor (2009), e do estudo Ficção Científica, Fantasia e Horror no Brasil (Editora UFMG, 2003), que recebeu o Prêmio da Sociedade Brasileira de Arte Fantástica.
Seus contos foram publicados em revistas e livros de dez países. Foi um dos três classificados do Prêmio Jerônimo Monteiro (1991), da Isaac Asimov Magazine, e no III Festival Universitário de Literatura, com a novela Terra Verde (2000); foi o ganhador do Projeto Nascente 11 (da USP e do Grupo Abril) em 2001 com O Par: Uma Novela Amazônica, publicada em 2008. Completando um trio de novelas de FC ambientadas na Amazônia, Selva Brasil foi lançado em 2010 pela Editora Draco.
Causo escreveu sobre os seus gêneros de interesse para o Jornal da TardeFolha de S. Paulo e para a Gazeta Mercantil, para as revistas ExtrapolationScience Fiction StudiesCultCiência HojePalavra Dragão Brasil.
Mantém coluna quinzenal sobre ficção científica e fantasia no Terra Magazine (http://terramagazine.terra.com.br), a revista eletrônica do Portal Terra. O jornal A Tarde disse sobre ele: “Roberto de Sousa Causo é um dos mais atuantes escritores brasileiros de FC, horror e fantasia.” Vive em São Paulo, com esposa e um filho.

Um comentário:

Wander Shirukaya disse...

Concordo com vc, Causo. O escitor, como qqr outra pessoa, tende ao comodismo. Sendo assim, ele sempre buscará a maneira mais fácil de ser aceito, seja para vender, para ser reconhecido ou evitar conflitos; tudo isso cria um circulo vicioso, q só pode ser quebrado por aquele q deixar sua outra faceta humana, a ambiciosa, chutar o pau da barraca e romper com os paradigmas vigentes. Mas como fazer isso num contexto em q somos cada vez mais impulsionados a baixar a orelha e assistir ao mundo bem debaixo do nosso nariz, para q sejamos vistou como pessoas "humildes e de bem"? Eis o embate, resta-nos saber o que queremos afinal mas, pelo jeito, a dificuldade perdurará muito ainda. É uma pena.