6 de dez. de 2011

Simulacro

Por Marcia Barbieri

Não sou homem
sou bicho rastejante
camuflado entre rochas.
Um cachorro devora outro cachorro
E eu apenas olho a cena
A estética me atrai
Sou um simulacro de incertezas
uma boneca russa sem linhagem
Entre minhas pernas crescem lesmas mortas
Ontem abortei o sol.

Aprendi a rir imitando a tragicomédia do meu pai
- O riso torna o homem sociável -
Cedo compreendi a incoerência dos antropólogos.
Rasguei minha cara
inconformado com a verdade das carrancas
Ninguém chega ao fim antes de atravessar o subsolo
Carrego o choro convulsivo das manhãs nubladas
O grito ninguém ensina, ele nasce feroz em nossa boca
Ancestral - uma vaga ideia de Deus.

4 comentários:

Wagner Bezerra disse...

É sempre pelo grito silencioso em que todas as manhãs tento ocupar o vazio de meu estômago. Mas nuca sinto saciedade pela vaga ideia da tragédia, do dia em que Deus resolveu meter o nariz numa lancinante e feroz criação do homem nublado...

Bjo! ;*

Parreira disse...

Sempre a Márcia - personalíssima!

Chris Araújo Angelotti disse...

Impecável.
beijos Marcinha!

Chris Angelotti

Assis de Mello disse...

Sou um simulacro de incertezas

uma boneca russa sem linhagem

Entre minhas pernas crescem lesmas mortas

Ontem abortei o sol.

*

Taí a Márcia de quem sem gosto!!!!