26 de nov. de 2011

Nanonarrativas

Por Geraldo Lima

Apresento-lhes, caros leitores, as lascas narrativas (ou nanonarrativas) que venho tuitando nos últimos meses. Algumas foram compostas diretamente no twitter, ou formatadas lá, dentro do limite dos 140 caracteres. A busca da concisão, com o máximo de significado, tem me orientado na elaboração desses microtextos.

Lascas

Pensou em se matar, mas logo abortou o pensamento suicida.

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– Estamos livres!, gritou um dos homens.
Olharam em volta: sem senhor, sem destino, sem nada.

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Há anos um estranho dorme ao seu lado.

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Rasgou o coração e o jogou no lixo. Aquele amor era só fantasia.

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Sentou no meio-fio e esperou a vida passar.

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Às vezes a fatalidade só precisa duma ajuda: no dia seguinte o marido passou desta para melhor.

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A anos-luz da Terra, compreendeu: a nave nunca mais voltaria ao ponto de partida.

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Quando abriu a porta, o ser escapuliu pela janela.

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Aos poucos, de maneira quase imperceptível, foi trocando a esposa pelo futebol na TV.

2 comentários:

Maurem Kayna disse...

Essa condensação de muito sentido em quase nada de texto é um desafio e tanto. Pouco me atrevo nesse caminho.

kleris disse...

Condensar uma ideia em 140 caracteres não é nada fácil... Muito digno a Literatura crescer de um lugar que se diria inóspito. Outro dia em uma discussão sobre o assunto, colocando em questão o desenvolvimento dessas narrativas no twitter, teve gente que disse que deixou o twitter justamente por não conseguir sintetizar uma ideia, qualquer que seja, em 140 caracteres. Refugiam-se hoje no facebook - até tem uns poucos por lá, mas o espaço não é limitado. E por esse mesmo fato que gosto muito do twitter, por conseguir me condensar bem em tão poucos caracteres. Não é qualquer pessoa que consegue se adaptar.