19 de out. de 2011

Côncavo

Por Marcia Barbieri

Cólera nos meus olhos pequenos de passarinho morto
O pior chute é aquele que vem da inocência cortante das palavras
(a ainda menina e sua vulva violentada entre as coxas)
É preciso velar pelas bocas costuradas
Gosto de pintar homens sem faces
Subjugados pela insensatez dos ponteiros e de outros homens
- essa nossa vida anti-horário
A nos comer pelos pés.

Hoje as paredes caiadas discorrem mais a meu respeito
Do que cien años de soledad ao seu lado
De todo nosso amor anárquico
Restam-me ridículos pontos de luz furtados
Escapando rotos pelas venezianas trancadas
Agora seus gozos mancham outros úteros
Suas mãos convulsivas já não me dividem ao meio
Como a mim mesma – autoflagelo.

5 comentários:

Anônimo disse...

...certeiro

MISTIFILMES disse...

Parabens, continua em plenitude ao escrever! Bjs

Assis de Mello disse...

Autofagia. Viva o pecado da gula ;-)
Marcia, terminei de te postar o livro.

Parreira disse...

Solidão, raiva & impotência. A vida.

Wagner Bezerra disse...

Esse mundo parece envergado aos meus pés...