5 de set. de 2011

Uma pesquisa antropológica

Por heráclito de albuquerque e santos


trata-se aqui de heráclito, comparsa da quadrilha de jônas de britto em noites insuspeitas, que cercaneiam lugares ilibadíssimos no lido de copacabana, com o fim exclusivo de pesquisa antropológica, consuetudinária e corporal. objetivo da pesquisa: fluidos corporais e alma de puta. pois saem os dois, mais ou menos duas vezes ao ano, a procurar por almas insuspeitas, de coração e alma puros, com o fito de acabar com seus corpinhos e bagunçar suas almas, não antes sem a devida investigação, importantíssima para a tese que desenvolvem. tese de pós-doutorado, diga-se, de passagem.

já houve alguns episódios dignos de nota, mas para fins de pesquisa e para que não se perca o fio de ariadne, só narrarei três, dois mais e um menos interessante.

já deu p’ra perceber que heráclito sou eu.

e que não somos santos, somos santos putos.

jônas de britto é um puto, desses cujas empulhações fazem as meninas pensarem que ele leu nietzsche e entendeu, que gosta de religião e existencialismo, desses que diz que tinha de ter um apartamento só para ler dostoiévski. as patas, claro, caem, chocas. mas é um amor de pessoa, bom amigo, já me salvou a vida, a carteira, a cara e os óculos.

eu já sou um puto mais recluso, sempre estudando o assunto, mas só saindo a campo com embasamento teórico e etílico o suficiente para conversar tudo que quero, e fazer tudo que quero. a minha empulhação? digo que sou pintor e artista plástico, que gostaria de pintá-las nuas. bem comezinho, bem prosaico. funciona que é uma maravilha! às vezes me excedo, mas conto com jônas de britto para me salvar. nunca saímos sozinhos, fizemos este pacto. tenho uma vasta biblioteca dedicada ao marquês de sade, e me considero um escolástico do assunto. aos olhos de quem me vê sem me enxergar, sou bom moço, bom filho, bom marido. quem *realmente* me observa só vê sacanagem. destarte, ser como sou me dá colheitas de frutos de vários mundos, nada melhor para um investigador. é o que sou: um detetive. de almas.

em dois episódios correlatos, que narrarei como um só, chegamos a uma “boite” – não há um termo adequado para o recanto, pois não é um puteiro, não é uma casa de massagens, *tampouco* uma boite, mas... – com firme deliberação de pagar alguns drinques, bater um papo amigável, colher material de pesquisa, e voltar para casa. sim, era este o sólido propósito: voltar para casa. porém, após algumas rodadas se passarem, nossa mesa se apinhou de pinguachas e, em pouco tempo, jônas de britto mamava o leite de uma recém mamãe; eu estapeava a valer a cara de algumas – e elas gostavam. mesmo. pediam mais. na cara. veja bem: não as vemos como as párias, as deletérias, as almas perdidas, tampouco como o bas-fond; são seres fascinantes para nossas cabeças perversas.

sou fã de nelson rodrigues, mas lhe nego o vaticínio: eu gosto de bater. que toda mulher gosta de apanhar todo mundo sabe, mas o que nem todo mundo sabe é que há homens que gostam de – e que sabem como — bater. eu sei. gosto. elas gostam. nada melhor do que um tapa bem dado na cara para esquentar as bochechas, todas elas, da cabeça aos sapatos, de uma mulher.

saímos de uma dessas empreitadas com cinco mulheres. deixei três com jônas de britto e me contentei com duas competentíssimas profissionais, que me esvaíram de tudo e de um pouco de minha alma. sim, você sempre deixa um pouco dela nessas ocasiões. mas feliz da vida, tendo ganhado pontos de experiência e libidinagem.

estupefatos com a descoberta filosófica, monumental, paramos num boteco no leme e rimos a valer com as maldades que fizemos. veja bem: não somos maus, malvados; só morbidamente curiosos, diria. e docemente perversos. a doçura, com as putas, é fundamental, é a verdadeira moeda.

sempre faço questão de patrocinar meu amigo, porque ele me protege, escolhe com dedo (heh) de ouro e olho de lince quem senta às nossas mesas. não posso dizer que a conta saia cara, porque a diversão supera o valor. há papos que você tem com uma puta – e é tão direto, honesto – que você não teria com pessoa outra alguma. jônas de britto é figura que só não te apresento porque de corrompido por ele, já basto eu. e tenho ciúmes dele.

são olhares que nos damos. em ocasiões sociais inocentes, cruzam-se os nossos olhares e sabemos imediatamente para onde iremos quando acabar o oba-oba dos mauricinhos que nos cercam. nada, na verdade, paga realmente esses momentos. e, naturalmente, o chopinho do depois, quando analisamos o caso em tela e injetamos a antropologia das verdades da putaria na vindoura tese.

o leitor, a essa altura, poderá perguntar: mas vocês não têm mais nada o que fazer, não? não, às vezes, graças a eros, não.

alugamos certa feita um só quarto para dois homens e duas mulheres. que suruba bem feita, orquestrada, cheirosa de motelzinho do lido. que decadência altamente estudável. foi sublime.

já chegamos numa boite chique do lido escoltados pela polícia, e fomos tratados como reis. mas há outras estórias, que tempestivamente contarei.

e é isso. ainda não nos reunimos neste ano de 2034 para a continuação dos estudos, mas no lido de copacabana, o objeto de estudo não acaba.


:: heráclito de albuquerque e santos é antropólogo de copacabana.

Um comentário:

Anônimo disse...

Como é que vocês deixam uma peça tão nojenta como essa ser publicada?! Uma vergonha. ass. Heráclito de Albuquerque e Santos.