11 de nov. de 2010

MojoBooks: The Trinity Session – Cowboy Junkies

A MOJO é uma editora 100% digital.
Sua proposta é simples: Se música fosse literatura, que história contaria?
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A saga de Lucifere
por Rodrigo Novaes de Almeida
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PARTE I
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Tornou-se Lívia no primeiro dia. Olho d’água dentro de grota. Farejar incessante. O diabo das coisas. Suas asas. Aquele olhar repousado em mim. Eram dela. Ela dentro de mim. Eu dentro do olho d’água de dentro de grota. O seu olhar repousado. Eram dela as asas desde o primeiro dia, desde o primeiro dia de Lívia quando Lívia tornou-se o diabo das coisas, o diabo carnal das coisas. Porque fora o próprio Satã quem definira o certo e o errado das coisas. Repousado ali, o próprio Satã, naquele diabo carnal das coisas, agora prisioneiro de Lívia, desde que Lívia tornou-se Lívia no primeiro dia.
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Uma vez, em Babel, eu escavava meus ídolos e conspirava contra a baixa e sórdida obra magna da criação. Contudo, eram os homens incapazes de serem transformados. Não puderam voar. Construímos a torre, mas nem os sábios puderam convencê-los de que a torre também deveria ser elevada dentro dos homens, de que também o vôo se daria dentro e não unicamente fora. Então tomamos as suas mulheres e fizemos filhos nelas. Veio a guerra. E a Terra fora a nossa casa durante tantas eras e a conhecíamos tão bem que não foi difícil expulsarmos os mensageiros d’Aquele para além do véu negro celeste. O bombardeio em Dresden, ciclos de séculos no porvir, parecerá pouco. Multiplicava-se o efeito de milhares de bombas atômicas, assim eram os nossos escombros. Nossas armas, as Fúrias. Éramos deuses naquele interfluxo na aurora dos homens. Devotávamos nossas preces a deuses ainda mais antigos e poderosos. Quanto mais percorrermos o caminho à origem, mais e mais poderosos serão os deuses, até a singularidade titânica, centelha primordial de todas as coisas, do diabo carnal das coisas investido em tudo de concebível em todos esses escoamentos de mundos, a derradeira piada.
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- Que tal? Divertiu-se?
- Bebi todo o sangue que pude tomar como meu. Ainda tenho o gosto dele na boca. Estamos nos acostumando depressa. A carne investe seus poderes sem trégua. Só um deus perverso seria capaz de criá-la. Miséria. Será a nossa ruína, Miguel.
- Pára com isso! Você começou a guerra. Você começou tudo, esqueceu? Violou as mulheres dos homens. Tentará o filho do homem um dia. Salvará a humanidade inteira quando Aquele se cansar de toda a perversidade. Pára já com isso! Não esqueça o seu nome santo. Você é Lucifere.
- Porra, Miguel! Ela nascerá um dia também. Eu já farejo a sua presença. Ela me aprisionará e...
- Sabemos de tudo, e daí? Devemos nos divertir até lá. A matança hoje foi boa. Pratiquei atos dignos dos velhos deuses. Corrompi uma menina de oito anos...
- Basta, Miguel! Não quero saber. Não quero saber coisa alguma. Estou cansado. Você é um filho da puta miserável. É mais pervertido do que Aquele. Agora eu vou deitar este corpo em algum lugar. Manda os bastardos reconstruírem a torre, nem que levem mais cinco mil anos, quero a torre reconstruída.
- Sim, senhor! Bom descanso. E não pense em Lívia.
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The Trinity Session – Cowboy Junkies, A saga de Lucifere, por Rodrigo Novaes de Almeida

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