24 de nov. de 2010

CorraAtrásDessesLivros (6ª edição)

Na edição passada da campanha CorraAtrásDessesLivros selecionamos algumas tuiteiras da nossa timeline. Agora em novembro é a vez dos tuiteiros.

Felipe Arruda (no Twitter é @felipemiguel) sugere »

Os Poemas Suspensos, Alberto Mussa (org.) — o livro apresenta a tradução ou, de acordo com o autor, a decifração de um conjunto de poemas árabes pré-islâmicos conhecidos como Al-Mu’allaqat (المعلقات). Os poemas retratam batalhas, amores, desilusões, a travessia do deserto e outros aspectos da vida dos beduínos. Além dos poemas há também um texto introdutório escrito pelo próprio Mussa e uma pequena biografia de cada poeta.

As Bacantes, Eurípedes — Ió! Evoé! A peça é uma tragédia grega escrita por Eurípedes e inspirada na história do rei Penteu, de Tebas, que ao se recusar a venerar Dioniso acaba sendo castigado pelo deus do vinho e do teatro. Existe também uma montagem da peça realizada pelo Teat(r)o Oficina, disponível em DVD e que, por sinal, eu ainda não assisti. Mas convenhamos: se envolve Baco ou o Oficina, não pode ser ruim. Foi por causa de um episódio em uma das apresentações dessa peça que surgiu a música Vamos comer Caetano, da Adriana Calcanhoto.

Um Retrato do Artista Quando Jovem, James Joyce — Romance semi-autobiográfico de James Joyce que conta a trajetória de Stephen Daedalus, alter ego do autor, desde a infância até o início da fase adulta. Interessante é notar o o estilo da prosa evoluindo junto com Daedalus ao longo do livro. Eu acho o final do livro muito libertador.

Felipe Arruda tem 30 anos, é pé-vermelho de Wenceslau Braz, mas vive em Curitiba desde que se conhece por gente. Trabalha como redator web, detesta exame de sangue, é um devotado apreciador de grão-de-bico e, entre uma coisa e outra, tenta atualizar o Palavroso, um tumblelog com palavras não usuais da língua portuguesa.


Alex Sens Fuziy (no Twitter é @alexsens) sugere »

Harry Potter e a Pedra Filosofal, de J. K. Rowling — Foi neste que tudo começou, que minha leitura, aos doze anos, passou a barreira das obras policiais de Pedro Bandeira e Marcos Rey e mergulhou no gosto pelo mágico que eu já trazia da infância com as bruxas dos Irmãos Grimm. Talvez tenha lido este primeiro volume da saga seis ou sete vezes, e até hoje tem seu papel valioso na minha construção como leitor interessado.

Reparação, de Ian McEwan — Meu primeiro McEwan, lido em poucos dias sob luz de velas, ansiedade, lágrimas e completo assombro. Romance considerado sua obra-prima, Reparação é uma bela e triste história de amor corrompida pela mentira, rasgada pelas pontas laminosas de uma imaginação maniqueísta, tendo como pano de fundo a Segunda Guerra Mundial e um sentimento de culpa tão irreparável quanto à época.

As Virgens Suicidas, de Jeffrey Eugenides — Os ingredientes são: paixão, melancolia, humor, morte, desejo e estranhamento. Não precisa bater nem levar ao forno, porque juntos compõem uma inevitável liga, autogerada pela detalhista e incrível narrativa de Jeffrey. O relato de um garoto adolescente apaixonado (como seus amigos) pelas cinco irmãs Lisbon que se suicidam está na minha lista de livros preferidos, de livros a serem relidos e de livros influentes na minha própria ficção.

Alex Sens Fuziy é escritor por ofício e prazer, eventualmente revisor e preparador de textos. Escreve resenhas de livros e filmes para revistas virtuais de literatura e jornalismo cultural. Blog: http://alexsens.opsblog.org


Lucas Guedes (no Twitter é @lucasguedes) sugere »

A morte de Ivan Ilich, de Liev Tolstói – Ilich é um juiz que sofre um acidente em sua casa e, impossibilitado de sair, precisa conviver mais tempo com sua família, que mais parece querer se livrar dele. Como em toda boa estante, na minha não pode faltar um russo. Há vários, mas escolhi A morte de Ivan Ilich, de Liev Tolstoi, por ser um livro simples, sem muitos rodeios e ao mesmo tempo denso, pois o tema central é a morte.

Libertinagem, de Manuel Bandeira – Os poemas que compõem este livro, publicado em 1930, são essenciais para entender a poesia brasileira a partir das primeiras décadas do século 20. Os primeiros versos da poesia “Poética” (Estou farto do lirismo comedido, do lirismo bem comportado) conseguem expressar bem o significado de literatura para Bandeira, que certamente influenciou – e continua influenciando – toda a criação literária.

A Metamorfose, de Franz Kafka – Esta obra tem, talvez, um dos melhores inícios de livros de ficção de todos os tempos (Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso). Metamorfose é um retrato da condição humana, da dependência das pessoas em relação às outras e da transformação moral frente às situações adversas. Obrigatório!

Lucas Guedes é jornalista freelancer, assessor de comunicação e mestrando em Divulgação Científica e Cultural na UNICAMP. Autor do livro www.odio - a internet na mira do mal.


Zé Alexandre (no Twitter é @jose_alexandre_) sugere »

Raul da ferrugem azul, de Ana Maria MachadoUm dos livros que me fez ser o leitor de hoje. Totalmente lisérgico, Raul, o nosso Tistu brasileiro, começa a perceber a aparição de manchas azuis em seu corpo, como aquelas “ferrugens” de ruivos. Ao tentar desaparecer com elas, o garoto recorre até a um Preto Velho, mas descobre que são certas atitudes que as fazem aparecer. Formador e sem demagogias moralistas.

Quase memória, de Carlos Heitor ConyDestrinchando as suas memórias em um “quase romance”, Cony entrega um passado mágico da cidade maravilhosa e recria vários bairros, ruas e locais, restabelecendo a aura da era dourada do Rio de Janeiro, através de uma relação pai e filho. Para os cariocas, é uma ótima maneira de viajar no tempo e descobrir como era o seu bairro e os lugares que conhece.

A Invenção de Morel, de Adolfo Bioy CasaresBorges sentenciou: “não seria uma imprecisão ou uma hipérbole qualificá-la de perfeita”. Para muitos essa afirmação já escancara portas para uma ótima leitura. Para mim sintetiza a paixão e o arrebatamento que se tem ao se submeter ao mesmo isolamento do náufrago foragido e sua paixão atemporal por Faustine. Brilhantismo puro.

Zé Alexandre é graduado em Letras Português/Espanhol, trabalha com Português, Literatura e Redação em um renomado colégio/curso carioca. É também músico — guitarrista — alucinadamente apaixonado por Rock a ponto de escrever sobre música no blog chronicasonus.wordpress.com e pelo @ChronicaSonus.