24 de set. de 2010

CorraAtrásDessesLivros (4ª edição)

> ANDRÉ LUCAS sugere:

A lenda dos cem, de Gilvan Lemos – Um mix de um nordeste pistoleiro, indígena e justiceiro. Cheira a sangue misturado com muita terra batida se desprendendo no vento que sopra aqui, pelo interior de Pernambuco.

Olhai os lírios do campo, Érico Veríssimo – Dor, dor e dor. Até a felicidade, para Veríssimo, é uma nova forma de dor neste romance. Se Eugênio transcende, se ele cresce aí fica com você, o que eu sei é que ainda assim ele está sofrendo.

Senhor dos Anéis, J. R.R. Tolkien – Pop? Acusem-no de tudo, mas Tolkien é um Hobbit boa praça que adora um cachimbo, uma cerveja e que brinca com a linguagem. E ele entendeu bem o que queria a “Virada Linguística” ao falar que a linguagem construía o mundo. Ele construiu o dele.

André Lucas Fernandes – Escritor por curiosidade. Faz Direito na UFPE por vocação em ser louco. Bloga em: http://tbquerofalar.wordpress.com


> BRUNA MARIA sugere:

Ficções do Interlúdio, de Fernando Pessoa – trata-se da reunião da obra poética de Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos, os três mais conhecidos heterônimos do poeta português. Além da riqueza particular que a vivência de cada poema nos traz, essa leitura é um excelente caminho para se conhecer o gênio artístico, e refletir sobre ele, uma vez que cada heterônimo encerra em si um posicionamento estético e uma defesa artística e são, simultaneamente, ficção autônoma (e não Pessoa).

Cartas a um jovem poeta, de Rainer Maria Rilke – apesar de não ser exatamente a poesia de Rilke, essas cartas são muito significativas. Um jovem, indeciso entre uma profissão formal e a poesia, recorre às palavras do poeta. Estas versam sobre a existência sensível do homem e, sem dúvida nenhuma, compilam um grande aprendizado para quem entra em contato com elas.

Trópico de Câncer, de Henry Miller – um dos vieses mais encantadores neste romance parece ser o trânsito que Miller consegue entre o sublime da arte e as esferas mais grosseiras da existência humana. Com habilidade narrativa de maravilhar, só nos resta entrega ao texto e atenção para que, em nossa ânsia de leitura, quase como uma pulsão sexual, não nos deixemos perder nas (muitas) ironias e deboches incrustados ao longo da narrativa.

Bruna Maria é mestranda em Literatura Portuguesa (UERJ) e está escrevendo seu 1º romance. Mais em http://blog.brunamaria.com.


> PAULA CAJATY sugere:

Esse ofício do verso, de Jorge Luis Borges – Não há no livro qualquer modo de fazer específico da poesia - apesar de indicar precisamente como não se fazer -, mas brechas e frestas sobre a própria experiência artística e considerações profundas e eternas, uma voz que se repete e ainda ecoa quarenta anos depois de vibrar por uma única vez. Na sua passagem mais genial, Borges confessa que gostaria de ouvir as vozes de seus mestres, que treinava sua voz para imitar a daqueles que não mais existiam, para que pudesse pensar como teriam pensado e falar como teriam falado.

O tigre de veludo (alguns poemas), de E. E. Cummings – O tigre de veludo não é só um livro de poesias de 'E. E. Cummings' ou um ajuntamento aleatório de seus poemas, numa coletânea sobre poetas notáveis do mundo, mas uma iniciação à obra e uma apresentação do poeta que soube representar, através da palavra, os conceitos e ideais de seu tempo. Para isso, nada melhor que as visões dos três tradutores e selecionadores que dissecaram a contribuição poética de Edward Estlin Cummings.

O pássaro raro, Jostein Gaarder – O homem passa a vida mascarando o real, enfeitando a verdade para que ela não pareça tão improvável. Mas o real e a verdade às vezes dão as mãos e misteriosamente escapam dessa gaiola dourada onde vivem trancados. E alçando voo, impõem sua presença, a despeito de nosso alheamento. Jostein Gaarder, o filósofo norueguês de 'O mundo de Sofia', neste 'O pássaro raro', traduz em contos nossa - infundada - perplexidade com o óbvio, esse óbvio que aprendemos a disfarçar tão bem.

Paula Cajaty, carioca de 1975 é autora de 'Afrodite in verso' e 'Sexo, tempo e poesia', ambos da 7Letras. Produz o boletim 'Leituras' e edita o site www.paulacajaty.com. No twitter, é @paulacajaty.


> RICARDO BRUCH sugere:

Memórias do Subsolo, Fiodor M. Dostoievksi – Dostoievski é o autor que decifrou o individuo da forma mais brilhante. Nesta obra ele conta, num estilo do que será conhecido como fluxo de consciência, adotado por Joyce, Woolf e Lispector, a história de um homem que simplesmente não se encaixa ao seu meio. O primeiro romance existencialista da literatura.

Paranóia, Roberto Piva – Poesia da cidade, urbano, metafórico, visionário, pungente. É muito difícil falar desse livro. Basta ler o primeiro poema para entender o que digo.

Explicação dos Pássaros, Antonio Lobo Antunes – escritor que possui um estilo tido por “difícil”, mas que escreve de forma poética e reflexiva. Extremamente hábil em criar vozes, descrever situações mundanas e entrar na cabeça das pessoas. Este livro conta, por intermédio de várias vozes, a vida e os últimos passos de um suicida.

Ricardo Bruch, escritor paulistano, teve o conto Mariana selecionado para figurar na antologia Universo Paulistano II. Seu conto chamado Acidentes foi publicado no blog literário O Bule. Escreve do blog http://www.bostoievski.blogspot.com


> RICARDO NOVAIS sugere:

Confusões e Calafrios, de Silvia Cintra Franco – Bombons envenenados, esquisitices por todos os lados, e um espião que vive rondando uma fábrica de cerveja. Este é um livro do universo juvenil, e foi justamente esta obra uma de minhas primeiras doses de bom humor e mistério que me entorpeceram para o gosto às letras.

Anna Karenina, de Léon Tolstói – História tocante, incisiva e envolvente. Tolstói é um autor magistral, fruto da autêntica literatura russa e da sutileza de seu espírito. Este romance é quase uma magnífica provocação ao leitor que perfila pelos salões: viver viciado pelas necessidades.

Desespero Humano, de Søren Kierkegaard – Ambiente da angústia humana; ao ler as primeiras linhas escritas por este dinamarquês, constatamos nosso fado pesado. Será que estamos eternamente condenados a vivermos sob a ameaça de dois caminhos? "Doença até à morte", e depois dela... Contrariando crenças hegelianas, e outras, de que o objetivo do homem é alcançar a união com o divino.

Ricardo Novais é autor dos livros O Boêmio, um romance de deboche, e Trem Noturno, uma seleção de contos, ambos pela editora Bookess. Blog: http://blogdoricardonovais.blogspot.com.