24 de jul. de 2010

CorraAtrásDessesLivros (2ª edição)

> CLAUDIO PARREIRA sugere:

Bestiário, de Julio Cortázar – Livro de estréia do autor argentino, Bestiário é uma obra-prima do conto. Um destaque para Casa Tomada, narrativa irresistível.

O Pirotécnico Zacarias, de Murilo Rubião – Coletânea de pequenos contos do escritor mineiro, prova definitiva de que é possível escrever o ‘fantástico em brasileiro’.


> GERALDO LIMA sugere:

O processo, de Franz Kafka – Segundo Espinosa, saímos do Estado Natural para o Estado Civil para nos protegermos, já que na natureza vale a lei do mais forte. Para tanto, criamos as cidades e todo um aparato para nos defendermos. Mas ao lermos esse livro de Kafka, compreendemos que esse projeto de civilização faliu: o Estado, que deveria nos proteger, pode se transformar, sem justificativa alguma, no nosso algoz. Impossível encarar a realidade com olhar tranquilo depois de mergulhar no universo kafkiano.

O estrangeiro, de Albert Camus – Nesse romance, de leitura fluente e perturbadora, Camus nos mostra, na figura de um funcionário de escritório, sem ambição, o absurdo da vida humana: a rotina, o tédio, o vazio. O comportamento de Meursault nos choca: não se comove no enterro da própria mãe nem se mostra arrependido ao matar um homem. Mas tudo isso se explica se levarmos em conta a Filosofia do Absurdo teorizada por Camus. Nesse livro, ele pretendeu expor “a nudez do homem em face do Absurdo”. O estrangeiro é um desses livros de cuja leitura não saímos indiferentes.


> HOMERO GOMES sugere:

O Rei da Vela, de Oswald de Andrade – Um dos principais textos de crítica ao capitalismo que conheço. Pelo menos para mim, uma das grandes criações anti-capitalismo. Entretanto, esse texto teatral (encenado apenas na década de 60) não é panfletário, é universal.

Um Lance de Dados, de Mallarmé – Por falar em originalidade, esse poema trouxe para a tradição literária a tridimensionalidade. Esse caráter sempre me instigou. Sua leitura é difícil, um desafio que valerá sempre a pena, seja para o leitor comum (que ficará orgulhoso de si) seja para o prosador ou poeta (que tomará contato com um novo modo de fazer literatura).
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> MAURO SIQUEIRA sugere:

Vastas emoções e crimes imperfeitos, de Rubem Fonseca – Meu primeiro contato com a obra de Rubem Fonseca: ao mesmo tempo erudito, canalha, urbano e delirante...

Histórias de Cronópios e de Famas, de Júlio Cortázar – Antes desse livro não me importava com os contos de modo geral – eram só histórias pequenas. Mostrou-me a intensidade das narrativas curtas e a possibilidade quase inesgotável da experimentação nesse gênero, fazendo da leitura/escritura algo lúdico.
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> RODRIGO NOVAES DE ALMEIDA sugere:

As sereias de Titã, de Kurt Vonnegut – Em um dia quente de verão, anos atrás, encontrei este livro em um sebo. Já tinha lido Matadouro 5, e foi bem fácil gastar cinco merréis neste aqui. Estranho e original, adjetivos que funcionam tanto para o livro quanto para o seu autor. É imperdível.

Assim falou Zaratustra, de Nietzsche – Leia com dezessete anos, vai morar numa caverna e dance ao redor de uma fogueira sob o rio leitoso da galáxia numa noite de outono. O Zaratustra é um doido varrido, ou o Nietzsche era um doido varrido? Não importa, ou não faz diferença. O certo é que você tem grande chance de se tornar um doido varrido. E lembre-se: Deus está morto. Infelizmente, a grande maioria dos homens acredita em pelo menos um deus, e matam uns aos outros em nomes deles. Ironicamente, ainda temos a petulância de nos considerarmos "evoluídos"...
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> ROGERS SILVA sugere:

Bichos, de Miguel Torga – Escrito em 1940, Bichos é um clássico da literatura portuguesa. O grande escritor português Miguel Torga inventa um mundo de bichos humanizados. Com certeza um dos melhores livros de contos da literatura de língua portuguesa, com direito a personagens (bichos) extremamente marcantes, mais do que muitos seres humanos.

A lua vem da Ásia, de Campos de Carvalho – É um clássico desconhecido deste escritor mineiro. De leitura fluída e delirante. Duvido alguém fechar o livro exatamente como o abriu. Curte tapas no rosto? Ou prefere socos no estômago?