24 de jun. de 2010

CorraAtrásDessesLivros (1ª edição)

> CLAUDIO PARREIRA sugere:

Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa - Duas histórias em uma só: o amor proibido entre Riobaldo e Diadorim e uma outra, de amor pelas palavras. Linguagem elevada à máxima potência.

Dom Quixote, de Miguel de Cervantes - Herói ou vilão, gênio ou idiota? Cervantes não responde a nenhuma dessas perguntas, mas planta no leitor a semente da aventura e do sonho.


> GERALDO LIMA sugere:

Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis - Depois da leitura desse livro, compreende-se que é possível escrever com liberdade, irreverência e senso crítico. O melhor da sátira menipeia, assimilada por Machado, aparece aí na ousadia do enredo e no estilo sério-cômico que ele impõe à narrativa.

Enquanto agonizo, de William Faulkner - O que impressiona nesse livro é a multiplicidade de narradores. Em cada capítulo, um personagem diferente e com estilo próprio narra a história. O mosaico que resulta dessa narrativa fragmentada deve ser montado pelo leitor. É impressionante como Faulkner faz isso acontecer de modo natural, sem artificialismo. A aventura empreendida pela família para transportar o corpo da matriarca até a cidade onde ela queria ser enterrada torna-se uma das mais trágicas e absurdas da literatura universal. É um desses livros que nos impressionam pela forma e pelo conteúdo.


> HOMERO GOMES sugere:

Eu, de Augusto dos Anjos - Impossível ler mais de dois poemas sem sofrer uma overdose de termos obtusos e anatômicos, mas poemas devem ser lidos a conta-gotas mesmo. Na literatura brasileira, Augusto dos Anjos possui uma dicção pouco seguida e, ainda hoje, original.

A Varanda do Frangipani, de Mia Couto - Nada melhor do que encontrar um escritor que conseguiu colocar no papel, com talento extremo e poesia, palavras que, como colega de ofício, apenas havia sonhado. Mia Couto é um irmão de escrita; alma gêmea literária. Embora sua obra não influencie diretamente minhas criações, tenho nele fonte de referência em língua portuguesa do que deve ser buscado: uma ótima história em um texto burilado cuidadosamente, resultando em poesia em prosa que dá prazer de ler.


> MAURO SIQUEIRA sugere:

Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar - A concatenação mais poética em prosa – e por isso mais perigosa – da literatura brasileira. O esmero e o cuidado em soar lírico por vezes me fizeram esquecer o enredo e me fazendo reler trechos anteriores. Não será esse o feitiço?

Ensaio sobre a cegueira, José Saramago - ao falar do processo de desumanização, o livro mais humano que li. Não vou cair em lugar-comum em comentar sobre a sua pontuação e afins; prefiro a mensagem e a crítica inseridas num texto vigoroso.


> RODRIGO NOVAES DE ALMEIDA sugere:

Crime e Castigo, de Dostoievski - Faça deste livro tua iniciação em Dostoievski. É sobre um quarto pequeno, úmido e escuro com um jovem dentro. Ou sobre um jovem dentro de um quarto pequeno, úmido e escuro que pensou que não se sentiria péssimo assassinando um ser humano medíocre e mesquinho. Se ferrou, não aguentou a parada, se ferrou mais ainda, mas Dostoievski traz quase sempre aquela luzinha no fim do túnel.

Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez - Demora umas páginas para você entrar realmente na narrativa, mas, quando percebe, você já está irremediavelmente afogado num mundo fantástico muito semelhante ao nosso. Se você vive por essas bandas sulamericanas, Gabriel é obrigatório. Não tem nem desculpa.


> ROGERS SILVA sugere:

Emissários do Diabo, de Gilvan Lemos - Tão bom quanto desconhecido. Uma obra-prima esquecida. Um livro bem escrito, com uma história interessante que une regionalismo, humanismo, crítica social e psicologia. Vale a pena procurá-lo e lê-lo. Após o término da leitura, a dívida do leitor para com o escritor estará parcialmente sanada. Quer conhecê-lo? O Google e os sebos lhe serão úteis.

A hora da estrela, de Clarice Lispector - Um soco no estômago. Impossível sair incólume da leitura. Macabéa, a protagonista, é tão ingênua que chega a ser dolorido conhecê-la. É Clarice em sua melhor forma – questionadora, dolorosamente consciente e epifânica. Vai encarar ou tá com medinho?