27 de abr. de 2010

Três microcontos, do livro inédito 'Breu'

Por Geraldo Lima
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Telenovela
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Às 20 horas, a heroína vai matar o ex-namorado: um calhorda que o país inteiro odeia. Serão dois tiros no peito. Minha esposa vai aplaudir ao ver a assassina (?) correr para os braços do outro — o mocinho: branco, belo e bom. O vilão vai se estrebuchar lá no fundo, enquanto os dois, em primeiro plano, beijam-se. Tão lindo! Está no script: lágrimas rolarão dos olhos da minha esposa.
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Deus e o Diabo na terra de Machado de Assis
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Neguinho vem dizer que estou errado. Moral... Puta que o pariu! Vem me falar de moral, cara! O que faço ou deixo de fazer é da conta de alguém? Neguinho vem apontar defeito alheio com o dedo sujo. Se tudo é lama... Olha, vou continuar assim, torto. Aquele lá é crente, quer me converter: Só Deus pode consertar o mundo. Tem jeito não, brother, Deus e o Diabo são sócios nisso aqui.
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No ermo
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Ainda tá vivo!, alguém gritou. Saltamos de lado, para trás, o coração desse tamaninho. No meio do susto, do escuro, sei lá quem achou uma pedra. Depois, sob a claridade da Lua, apareceram outras. Uma chuva de pedras, até sobrar quase nada do corpo dentro da poeira, no meio do cosmos, em meio à sensação de nojo, de remorso, de terror profundo.

Um comentário:

Anônimo disse...

Muito bom mesmo.